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Por que eu stalkeio Robson Moura

by mindbodybjj.blogspot.com.br

Se você vai stalkier alguem, é melhor que stalkeie o melhor – Bill Jones

Quando eu era um novato faixa azul meu instrutor anunciou que teríamos um seminário com um cara chamado Robson Moura, custando 70 pratas.

Eu não tinha idéia de quem era, naquela época todos os nomes pareciam iguais. Para mim Robson Moura era somente mais um cara com quatro sílabas no nome (como um linguista e músico, eu classifico nomes de acordo com ritimo e o seu som. Eu sei, sou estranho, já me disseram) com um nome onde o R soava como H.

Eu não queria ir ao seminário porque naquela época eu ainda tinha dificuldades de executar um armlock da guarda (ainda tenho essa dificuldade, mas esse não é o ponto) eu podia imaginar várias outras formas de usar minhas 70 pratas. Além disso, após estimulado pelo meu amigo que é obcecado pelo Robson eu procurei Moura no Youtube e pensei que ele era bem estranho

Veja por si mesmo:

https://www.youtube.com/watch?v=Nv6BLUo9Mh8

Robson Moura No Gi Turtle

Robson Moura
Eu disse para meu amigo: Desculpe-me mas eu não posso olhar para esse cara por três horas.

Acontece que o vídeo que vi tinha sido filmado em um dia que Robson estava congelando em Delaware (ele congela se a temperatura cai abaixo de 37º) e ainda por cima estava sofrendo de depressão. E de um corte de cabelo tigelinha.

Mas o destino quis que meu instrutor, que era um velho amigo de Robson, me ligou e eu acidentalmente atendi, porque eu pensei que todos iríamos para uma churrascaria ou algo assim, ele disse na lata: “Você vai no seminário? Tenho uma vaga sobrando!”

Eu gaguejei e disse: Claro que vou, só esqueci de me inscrever. Quando desliguei disse: “Mas que droga!!”

Avançando para o seminário. Primeiro, Robson não é estranho. O que não importa, uma vez que seus faixas pretas são sua família não importa como eles se parecem. Mas foi legal que ele não parecia um marciano.

Segundo, eu fui atingida pela humildade e gentileza de Robso e, do seu senso de humor auto-depreciativo. Em um mundo onde todo mundo diz para deixar o ego na porta, e muito poucos realmente o fazem, Moura é alguém realmente humilde no tatame, muito prestativo e incentivador. Para alguém com suas habilidades lidar com pessoas normais com habilidades normais deve ser bem frustrante. Mas Robson demonstra a mesma paciência e gentiliza com faixas brancas, azuis, com os pais, fans, garçons e pessoas aleatórias.

Ele conta uma história dizendo que uma vez gritaram com ele na academia que malhava. A sua resposta foi, como sempre, educada: “Eu disse: “Desculpe-me, senhor”” ele se recorda. Mas não porque ele estava com medo de apanhar: “Eu simplesmente não tenho tempo” com um olhar de quem está acostumado a não perder nem um segundo.

Apesar de eu não stalkear Moura por sua personalidade, não posso deixar de enfatizar como foi importante para minha própria curva de aprendizado encontrar alguém que fosse verdadeiramente tão paciente comigo. Meu primeiro instrutor de Jiu Jitsu, em Califórnia, uma vez me disse: “você é o pior parceiros de treino do mundo” e coisas do tipo, o que foi um grande incentivador por ter abandonado o jiu jitsu por tanto tempo. Meu Segundo instrutor, o amigo do Robson, costumava ficar bravo, revirar os olhos e bufar toda vez que eu não aprendia algo em um piscar de olhos, era agora ou nunca!! Meu terceiro instrutor era uma daquelas pessoas, de acordo com um de seus alunos: “que nunca dizia que você havia feito um bom trabalho” e ficava sentado com cara de que estava chupando um limão E realmente acreditava que mulheres não podiam treinar jiu jitsu. Para ser justo com todos esse caras foram muito pacientes comigo, da sua forma particular, só que o jeito deles serem pacientes não é o mesmo jeito que eu sou com quem enrola no caixa. O que eu estou dizendo é impaciência, revirar de olhos, olhares penetrantes, batidas de pé, esse tipo de paciência.

E, apesar de amar todos meus instrutores, exceto pelo primeiro na Califórnia que era um cuzão, eu acabei me sentindo ainda mais tímida e mais insegura no tatame que um cara de meia idade tentando ser atleta.

Eu entrei no tatame do seminário do Robson me sentindo um cristão mártir entrando no Coliseu para ser devorada por leões, exceto que eu havia pagado 70 pratas para isso. Você pode imaginar minha surpresa quando um dos maiores campeões mundiais de jiu jitsu se mostrou um dos professores mais pacientes que já encontrei.

Em se tratando de jiu jitsu, eu posso dizer que a primeira impressão do seminário foi: Uau, isso é fantástico, uma pena que um nunca puder fazer
Para mim o jiu jitsu de Robson Moura era como o Cirque du Soleil, incrível de se assistir, divertido, humilhante de se tentar, e absolutamente fora da minha realidade. Mas, como muitas pessoas são viciadas no Cirque de Soleil, eu fiquei viciada no jiu Jitsu de Robson Moura. Não porque eu nunca poderia fazer aquilo, mas porque eu achava tão legal.

No final do dia eu realmente tentei um dos movimentos de Robson no treino. Eu não só pude executá-lo (desajeitadamente) como também meu parceiro de treino ficou impressionado. Os movimentos do Robson tem esse efeito. Eles são tão legais que as pessoas se divertem em serem “Robsoneadas” com raspagens, finalizações, e combinações que parecem insanas mas que na realidade são lindas e precisas na sua aparente casualidade assim como o Universo.

Robson Moura disse: O jiu jitsu não tem fim. Robson passou a sua carreira revirando do avesso forças irresistíveis e objetos irremovíveis.

Mas o ponto é que eu percebi que eu posso fazer essas coisas também. Eu passei de alguém aplaudindo na plateia para alguém no seu próprio trapézio. Passei de uma mera espectadora para alguém que planeja de dentro do espetáculo.

E não foi porque eu tenho habilidades atléticas, por que eu não tenho. Pessoas normais podem fazê-lo também. Robson me ensinou que pessoas normais podem fazer coisas extraordinárias, e não somente no tatame. O potencial humano é muito maior do que se imagina.

Toda vez que penso que algo é difícil, eu penso: “Oh, tenho certeza que foi fácil para um cara de 60 kg que veio de uma favela ser campeão mundial 8 vezes!”

Eu stalkeio Robson Moura pois seu jiu jitsu é incrível mas também pois ele me mostrou que também posso ser incrível. Ele me ajudou a ver os obstáculos de forma diferente.

A maioria das pessoas quando vê um obstáculo, param e constroem uma casa antes dele. Não há nada de errado com isso. Uma pequena parte dos muito motivados, acham um obstáculo em seu caminho e, nas palavras de Ricardo Pires: “Acham uma forma de contorna-lo”.

Pouquíssimos conseguem fazer do obstáculo uma vantagem. Robson Moura pegou todos os seus obstáculos em seu caminho e transformaram todos em combustível para lancar seu próprio foguete para conquistar o universo do Jiu Jitsu.

 

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