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ME CHAMO MARIA ISABEL, CADEIRANTE E JIU JITEIRA

Por Maria Isabel Rodrigues Alves

isabelMe chamo Maria Isabel Rodrigues Alves, tenho uma lesão RAQUIMEDULAR, onde faço vários tratamentos e esportes também, tudo na mesma proporção.

Conheci um professor de Jiu jitsu, através de um passeio para assistir o Mundial de Judô 2013 no Maracanãzinho, passeio organizado pela Vila Olimpica Jornalista Ary de Carvalho em Vila Kennedy.

Ao assistir tal evento eu fiquei encantada com tal modalidade, achei muito legal e ao termino do passeio tive a oportunidade de conversar com Vagner Roberto de Lima (Professor de Jiu jitsu da Vila Olimpica), onde trocamos algumas palavras e deixei claro para ele que existia um interesse pela luta e o quanto me emocionei em assistir!

Eu não tinha a noção de que o Jiu jitsu poderia ser feito no chão e ao saber fiquei muito entusiasmada e nervosa ainda ao perguntar para o professor se tinha condições de eu praticar este esporte. Demorou um tempo para saber da resposta e se ele aceitaria em me treinar, mesmo eu sendo cadeirante. Ele demorou um pouco a dar esta resposta, pois nem imaginava que esta resposta estava ligado ao fato de que ele já estava estudando e adaptando toda atividade para me receber.

No inicio começamos com atividades e técnicas de defesa pessoal ainda em cima da cadeira, mas para mim num era o suficiente, eu queria mais e queria ser inserida num grupo, ir também para o tatame e lutar os outros praticantes, e gradativamente o professor Vagner Roberto foi trabalhando a socialização, minha auto estima… Enfim o meu sonho tornou-se realidade (estar fazendo parte de um time de jiu jitsu).

Na turma onde treino sou a única deficiente que se atreveu e venceu, venceu porque o nível de aceitação foi maravilhoso, todos me deixaram a vontade, passam força, estimulam a minha capacidade a todo momento, me sinto igual independente da deficiência.isabel 2

Claro que o meu professor soube trabalhar com o grupo e hoje já desenvolvo golpes que nunca pensei que fosse capaz, tudo adaptado para melhor entendimento e mobilidade! Eu tinha certa dificuldade de me locomover ou de movimentar, superei medos, como cair da cadeira, e esta aceitação do meu estado.

Com o Jiu jitsu eu tive mais esperança, acabou a insegurança, os medos , melhorei a minha auto estima e também o meu contato com as pessoas!

Hoje se eu cair da cadeira já sei como proceder.

O jiu jitsu me ajudou de tal forma que faço movimentos que até a minha NEURO duvida, pelo grau da da minha lesão. Recuperei movimentos e ainda a arte continua me ajudando cada vez mais.

Bem sei que o jiu jitsu num é um esporte olímpico, mas isto não altera em nada para mim, pois meus objetivos vêm sendo atingidos.  Sabia também que seria estimulada a competir, independente da deficiência e baixa mobilidade, e a arte me fez descobrir que sou altamente competitiva e adoro desafios.

Cheguei a participar de um torneio que veio ao encontro daquilo que eu esperava, que era passar para todos que a deficiência não me impede de nada e sim me liberta.

Não houve vencidos e nem vencedores, o que foi apresentado foi um exemplo de controle a nível de superação das limitações de uma cadeirante.

Fica uma dica para a galera cadeirante assim como eu:

O jiu jitsu é um esporte maravilhoso, sem contar as vantagens que trás em termos emocionais, fisico, mental. Espero que vocês tenham a coragem e a chance de encontrar um excelente profissional como eu tive, e que se interesse em adaptar técnicas para vocês desfrutarem desta modalidade que tem a capacidade de proprocionar uma qualidade de vida melhor.

Obs: a minha neuro classificou o jiu jitsu como terapia coadjuvante! Osss

texto publicado originalmente em: http://senseiclube.blogspot.com.br/2014/10/me-chamo-maria-isabel-cadeirante-e-jiu.html