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Claudio Calasans opina sobre jiu-jitsu nos Jogos Olímpicos e enxerga desvantagens para brasileiros

Claudio Calasans (Crédito: Blanca Marisa Garcia)

 

Diversos são os questionamentos sobre a possibilidade de acompanhar o jiu-jitsu nos Jogos Olímpicos. Oriundo do judô, Claudio Calasans Jr. não enxerga a modalidade nas Olimpíadas. Foi o que disse em entrevista ao quadro Open Mat do  canal do Youtube e podcast Jiu-Jitsu in Frames.

Apesar do pai, Claudio Calasans, ser sétimo grau de judô e já ter sido da comissão olímpica da modalidade, o filho decidiu ir mais para o lado do jiu-jitsu e sempre contou com o incentivo do pai, que veio principalmente depois de ter viajado para os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. “Ele viajou na comissão técnica e viu bastante gente com camiseta de jiu-jitsu (…) e ele colocou a gente, eu e meus irmãos no jiu-jitsu, fez a gente treinar, eu tinha meu sonho no judô de competir e ir para as Olimpíadas e tal, mas eu acho que conforme fui treinando jiu-jitsu, passando de faixa… Nas faixas coloridas eu treinava muito mais judô do que jiu-jitsu, porque eu ainda tinha meu sonho dentro do judô, mas conforme fui pegando a marrom, a faixa preta, eu fui enxergando um mundo que eu vi que o judô não ia me proporcionar”, contou.

 

“Eu comecei a enxergar que o judô, por ser um esporte olímpico, eu dependia muito de outras pessoas, de uma federação, uma confederação, eu dependia de outras coisas para ser um atleta de ponta. Eu dependia de muitas outras coisas encaixarem para ser um atleta de alto nível”, complementou.

 

Foi então que ele começou a ver as novas oportunidades e investir mais no jiu-jitsu que, para ele, depende muito mais do atleta, para viajar, lutar campeonato, fazer pontuação do ranking, inclusive no lado do patrocinador. “O patrocínio é do atleta, no judô acontece muito que o patrocínio é da confederação”, disse.

 

Sendo assim, ele acredita que o jiu-jitsu o proporcionou um profissionalismo maior e até oportunidades de conhecer o mundo. E, quando questionado se ele acredita que a modalidade possa vir a ser olímpica no futuro como muitas pessoas acreditam, ele é oposto a opinião.

 

Para ele, não há muitos lados bons e ele ainda acredita que os brasileiros podem perder mais, fazendo uma analogia com o Japão. “Eu comparo o Brasil como o Japão no judô (…)  O japonês… a olimpíada é uma vez a cada quatro anos. É um cara que é da seleção. Ai tem o número 2, o número 3, o número 4, que vai ficar quatro anos sem lutar fora do país dele, um cara que podia ter uma chance, pelo menos, igual no jiu-jitsu; eu tenho a chance de ir lá brigar e lutar o mundial onde faz os pontos, vai e luta. Agora no judô não. Aí o cara participa de duas olimpíadas, oito anos e o mesmo cara vai. Você bloqueou um monte de carreiras”, disse.

 

“Com certeza tem um monte de cara sinistro [no Japão] que poderia ser medalhista em olimpíadas, medalhista em mundial que nunca lutaram fora do país. Já começa por aí, os brasileiros vão perder muito”, complementou.

 

Calasans ainda fez um paralelo em relação a regras. Para ele, as regras do esporte olímpico não são feitas para quem já conhece, mas para quem vai acompanhar. “Ele [o espectador] quer que aquilo acabe em um ou dois minutos, ele quer que seja rápido. Então eles começaram a montar uma regra [no judô] para a luta acabar rápido (…) e o jiu-jitsu, com uma luta de faixa preta de quatro minutos, não vai ser o que a gente treina, vai ser outro esporte”, falou.

“A regra acho que vai atrapalhar muito (…) e a questão dos atletas saírem perdendo por depender da confederação para patrocínio”, disse Calasans, exemplificando com seu exemplo próprio, dizendo que, para o acerto entre ele e a marca de kimonos que o patrocina atualmente, não existe um intermédio de federação ou algo externo.

“Essa marca vai patrocinar a seleção do Brasil para lutar um mundial? Os atletas não estão ganhando nada, tá dando dinheiro para a confederação. Acho que o jiu-jitsu do jeito que está crescendo está muito melhor”, finalizou.

 

Para assistir a entrevista completa com Claudio Calasans, acesse o canal no YouTube do Jiu-Jitsu in Frames ou se preferir, pode ouvir também no podcast.