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Roger Gracie dá opinião sobre fechar campeonato e ressalta: ‘Eu sou contra, 100% contra fechamento’

Roger Gracie (Crédito: Reprodução/Instagram)

Considerado por muitos o melhor de todos os tempos, Roger Gracie recentemente participou do quadro Open Mat no canal do Youtube e podcast Jiu-Jitsu in Frames. Um dos assuntos abordados pelo decacampeão mundial foi o fechamento de campeonatos com parceiro de equipe ou pessoas que, porventura, tornam-se amigos durante a trajetória do jiu-jitsu.

 

E, de cara, Roger já se mostrou contra. Ele relembrou que, a última vez em que ele teve que abrir para alguém, foi na faixa azul, quando ele era do time B. “Isso aconteceu até eu realmente ser bom, porque é aquela mentalidade de equipe que você tem que abrir para a equipe fazer ponto. Quando eu era time B, quando eu não era ainda bom o suficiente, eu já me vi numa situação que tive que abrir para um parceiro de treino, na faixa azul, acho que foi a última vez. Depois não”, disse.

 

Roger também citou que tem visto atletas se prepararem para competições juntos, mas é algo que ele considera muito difícil. “Tem que ter uma separação. Porque chega na hora da luta você tem que estar, não com raiva, mas com sangue no olho, digamos assim. E você não pode ver o outro como amigo, como irmão. Tem que ter muito emocional envolvido. Tem que ter uma separação emocional com a pessoa que você vai lutar”, complementou.

 

Atualmente líder da Roger Gracie Academy, em Londres e aposentado das competições, ele entende que tem todo o lado de uma equipe envolvido, mas para ele, é muito importante lembrar do individual, fazendo um paralelo com o futebol: “A luta é individual. Não é futebol que são 11, é mais de uma pessoa. É você sozinho. Tem toda uma dedicação, tudo o que você se propôs a fazer para ser campeão e eu sou contra você abrir para alguém, porque tira todo o mérito do que você tá fazendo na sua vida“.

 

Ele também disse que acredita que, em uma competição, vai muito “de dia” – de você acordar bem ou não, ou de repente ter acordado em um dia que era para você vencer mesmo e que, por isso, já viu muitos atletas de nível inferior, superar um atleta melhor ou mais técnico e que não se deve tirar o mérito da pessoa.

 

O atleta ainda fez um paralelo com esportes olímpicos, dizendo que, caso houvesse fechamento em uma final de Olimpíada, o esporte seria banido. “Imagine numa final de olimpíada, de repente não vai ter? Isso é inaceitável. O esporte ia ser expulso da olimpíada no dia seguinte. Então não tem porque não lutar. Pode ser irmão. Pode ser melhor amigo, pode morar junto, pode ser casal, tem que lutar, pô. Não é boxe”, falou.

 

Ele também deixou claro que, caso fosse oferecido a ele uma luta de MMA contra alguém próximo, não aceitaria por ser um esporte que há chances de nocaute e que, para ele, é impossível. Mas no jiu-jitsu competitivo, você vai fazer praticamente tudo o que faz na academia. “Você treina na academia forte, no campeonato é igual. Não muda muito. O foco muda, claro que tem uma mudança, mas a maneira de lutar é mais ou menos igual, não tem porquê você não lutar com alguém”, disse, e ainda finalizou: “Eu sou contra, 100% contra fechamento“.

 

Vale lembrar que, em 2007, Roger Gracie e Rômulo Barral fizeram a final do absoluto no Mundial, ambos representando a Gracie Barra, quando Roger finalizou Rômulo com um estrangulamento, bem como em 2009.

 

Para assistir a entrevista completa com Roger Gracie, acesse o canal no YouTube do Jiu-Jitsu in Frames ou se preferir, pode ouvir também no podcast.