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Após deixar a equipe Delariva, Claudia do Val alega ter sofrido assédio de ex-professor

Claudia do Val arbitrando no Berlin Open em 2019 (Crédito: IBJJF)

Infelizmente, é muito comum ouvirmos casos de mulheres abusadas (física ou mentalmente) pelo mundo e, no meio do jiu-jitsu, não é muito diferente.

 

Em 2019, Claudia do Val deixou a equipe De La Riva e passou a competir pela Soul Fighters. Na ocasião, ela explicou alguns motivos que a fizeram tomar a decisão. Alguns deles foram a falta de suporte do líder da equipe, Ricardo De La Riva, bem como algumas normas aplicadas na equipe, como uma nova política de uniforme, que a proibiu usar os kimonos de seus patrocinadores para treinar e também, depois de tanto tempo treinando na equipe e tornando-se uma das maiores representantes do time a competir pelo mundo e alcançar visibilidade no cenário mundial, ela passou a ser cobrada mensalmente para continuar na equipe, algo que nunca havia acontecido antes, conforme disse na entrevista ao canal e podcast Jiu-Jitsu in Frames.

 

Mas por trás da história, Claudia abriu o coração sobre algo que nunca havia falado. Em entrevista ao programa “Unleashed – The Game Changers” de Paola Diana, Londres, na Inglaterra, a campeã mundial alegou que, no início de 2015, pouco depois de ter recebido a faixa marrom, ela foi abusada pelo ex-professor e mestre Ricardo De La Riva.

 

Na ocasião, Claudia estava sofrendo diversos problemas psicológicos.  Em 2014, ela lutou contra bulimia, algo que, até então, ela não sabia que tinha. Posterior a isso, ela terminou um relacionamento abusivo que a deixou extremamente fragilizada. Com todos os problemas sofridos durante o ano de 2014, Claudia teve depressão e estava com o psicológico completamente abalado.

 

Claudia deixou claro que tratava e amava o antigo professor como um pai e, além disso, o colocava num pedestal, algo que, segundo a atleta, é bem comum dentro da equipe. Em 2015, durante uma conversa no WhatsApp com De La Riva, ele enviou uma mensagem dizendo que estava indo a casa dela para que o fizesse uma massagem. Ela também disse sentir-se muito ingênua diante do professor porque nunca passou pela cabeça dela ter uma relação de homem e mulher com ele.

 

“Eu fiquei um pouco em pânico, mas eu estava tentando me convencer de que era ok. Mas eu também estava: ‘Espero que seja só uma brincadeira’”, ela disse.

 

E não era brincadeira. Na sequência, Claudia contou que De La Riva chegou na casa dela, entrou e pediu pela massagem. A faixa preta dividiu a angústia daquele momento dizendo que seu coração estava quase saindo de seu corpo e ela mentalizava que aquilo ia acabar e ele ia embora. Mas quando acabou, o ex-professor disse que era a vez dele e ela ficou sem saber o que fazer. “Tinha algo morrendo dentro de mim, eu não sabia o que fazer. Ele começou a me tocar. Eu não disse ‘não’, eu não o parei. Eu estava morrendo por dentro. (…) Embora eu não tenha externado com a minha voz, tenho certeza que a minha linguagem corporal estava dizendo que não, porque aquilo não foi uma escolha”. Ela assumiu ter sentido muita vergonha por não ter dito nada no momento, mas afirmou que estava se sentindo paralisada e, posteriormente, ela passou anos perguntando-se porquê isso aconteceu devido a relação pai e filha que ela tinha com o mestre.

 

Durante toda a entrevista, Claudia disse o quanto se sentia culpada pela situação e chorou muito, algo muito comum vindo de mulheres que são vítimas de assédio.

 

Claudia escondeu o ocorrido por dois anos até conseguir criar coragem de falar com alguém e ainda, depois de ter deixado o time, quase cinco anos após o acontecido, foi julgada pelos ex-colegas de equipe pela escolha. Além disso, Claudia acredita que o ex-professor ficou ofendido e bravo com ela por tê-lo negado e, por isso, acredita que ele fez de tudo para que ela deixasse a academia.

 

Atualmente, Claudia não faz mais parte da De La Riva e está treinando e competindo pela Soul Fighters. Em janeiro, foi campeã europeia da categoria master I pesado e está feliz em sua nova equipe, tendo sido muito bem recebida.

 

E de tudo isso, Claudia finaliza com uma lição: “Eu coloquei ele num pedestal muito alto – e isso é como uma lição que eu aprendi da vida: nunca mais colocar pessoas em pedestais”.

 

A entrevista completa está disponível no link abaixo. Claudia fala sobre o caso a partir dos 41 minutos (em inglês).