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Um pouco da história do jiu jitsu – parte 4 – Toku Sampo

Na década de 1930 o Rio de Janeiro vivia um frenesi em torno do jiu jitsu. Essa arte marcial era representada pelos irmãos Gracie (Carlos, Hélio e George) e por alguns japoneses que haviam treinado direto na Kodokan. Dentre eles destacamos Takeo Yano e Geo Omori. 

Omori era aluno da lenda da Kodokan  Tokugoro Ito e havia sido instrutor na escola japonesa antes de ser embaixador do Kano jiu jitsu (posteriormente conhecido como judo).

Os desafios entre o jiu jitsu, outras artes marciais e homens notáveis (como dobradores de aço de circo, estivadores, etc) diariamente ocupavam as páginas de jornais.  Geo Omori publicou no Diário de Notícias em 1932 uma série de quatro reportagens onde contava a origem do Jiu Jitsu. É uma visão muito próxima da fonte da Kodkwan jiu jitsu (judo) e tem 85 anos que essa história foi contada. É interessante notar que nessa época o judô não era judô e sim Kodkwan Jiu Jitsu, ainda não havia “pegado” o nome judô. Havia muitas escolas de jiu jitsu no Japão no começo do século 20 a Kodkwan (Kodokan) era mais uma delas.

A quarta (e última!) reportagem foi publicada em 31 de Agosto de 1932 e você confere na íntegra abaixo (adaptamos as grafias aos tempos modernos):

by Geo Omori

Toku Sampo

Vou recordar agora um fato interessante. O ano passado (N.E. 1931), em janeiro, foi realizado uma luta de jiu jitsu de grande importância no Hibia Park de Toquio. O grande campeão Toku Sampo aceitou enfrentar sete professores de categoria, sendo três da 3ª categoria, 2 da quarta e 2 da quinta. Os seus amigos não duvidavam, é certo, da sua capacidade. Sabiam-no capaz de vencer os sete lutadores, mas receavam que Sampou fosse traído pela idade pois ele já está com cerca de 50 anos.  Deram-lhe conselho para não enfrentar os sete lutadores de uma só vez o que não produziu resultado, porque o velho campeão já havia resolvido exibir-se.

COMO UM ANCIÃO “MATOU” SETE DE UMA SÓ VEZ

Toku Sampo, como eu já disse no meu artigo anterior, é um jogador de jiu  jitsu maravilhoso. Aceitou a luta com os sete professores e começou a enfrentar um por um até derrotar todos eles. Foia aprova máxima, a “Grande Honra” que ele acabara de conquistar no inverno de sua existência gloriosa.

Lutas de um homem contra cinco, numa mesma ocasião, já havia sido efetuada mas contra sete homens, todos vigorosos, todos excelentes conhecedores do método de luta nipônica jamais havia visto tal coisa em todo o Império do Sol Nascente! E dizer-se que os sete lutadores foram abatidos por um homem de 50 anos, o que realça ainda mais o valor desse valoroso ancião! Com essa idade, Toku Sampo vencia na escola, com muita facilidade, não poucos dos praticantes do jiu jitsu que por lá se achavam.

Pois bem , caros leitores do DIÁRIO DE NOTÍCIAS, o conde Maeda de Koma, o extraordinário lutador que o Brasil esportivo venera e o professor Ito foram os melhores alunos do grande Diabo Yokoyama (N.E Oni Yokoyama). Este por sua vez foi aluno de Jigoro Kano, o imortal fundador da Escola de Kodokwan (N.E Kodokan, berço do judô).

Toku Sampo e eu fomos alunos do professor Ito. Convivi com Sampou e tenho por ele o respeito que devemos demonstras por todas as personalidades superiores.

Agora, os brasileiros podem calcular o valor exato de Conde de Koma (N.E. Mitsuyo Maeda, mestre de Carlos Gracie), uma vez que eu afirme, com a autoridade que me empresta a circunstância de ter sido aluno do professor Ito, que Maeda de Koma foi tão bom lutador quanto meu mestre.

Guardarei sempre com a máxima gratidão a lembrança dos esforços e dos ensinamentos que o professor Ito fez afim de deixar perfeitamente inteirado da perfeita técnica do jiu jitsu. Jamais esquecerei também os auxílios que o professor Toku Sampo me prestou durante meus estudos.

Esse foi o caminho que segui: o professor Jigoro Jano foi o mestre do professor “Diabo Yokoyama”, que foi o mestre de Meda de Koma, Satake, Ono e Ito. O professor Ito foi o mestre de Toku Sampo e Geo Omori.

E com isso, nessas rápidas linhas que conto “um pouco da história do jiu jitsu” concluindo a série de artigos que escrevi especialmente para o Diário de Notícias, convidando os brasileiros a praticarem a luta japonesa nascida no Império do Sol Nascente e hoje difundida em todo o mundo, para a glória da Terra dos Crisântemos.

Os brasileiros possuem qualidades físicas maravilhosamente adaptáveis à prática do jiu jitsu e podem tornar-se verdadeiros astros da luta nipônica uma vez que sigam os regimes indispensáveis à eficácia dos ensinamentos.


Com isso concluímos a série de quatro reportagens da história do jiu jitsu contada por Geo Omori. O BJJForum sempre vai atrás de notícias e notas históricas que você pode conferir nos nossos arquivos históricos.

As demais matérias estão abaixo:

Parte 1 parte 2 parte 3

Veja a matéria original abaixo:

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