Home / Competições / Brasil / Tretas Históricas do Jiu Jitsu Parte 3 – Godói x Macaco: de sócios e “irmãos” a rivais

Tretas Históricas do Jiu Jitsu Parte 3 – Godói x Macaco: de sócios e “irmãos” a rivais

Depois do sucesso das duas primeiras partes da nossa série de posts “Tretas históricas do Jiu Jitsu”, chegamos a mais um capítulo. A história sobre como dois amigos tão próximos que se consideravam irmãos passaram de sócios em uma das maiores academias de São Paulo a rivais trocando socos dentro do ringue.

Macaco x Godói

“Se ele está tão no apetite de sair na porrada comigo, venha na porta da minha academia, vou quebrar todos os dentes da boca dele de graça!”

Eles eram amigos inseparáveis. Conheceram-se em 1992, na saída do colégio Objetivo, numa briga de rua em que estavam do mesmo lado. Roberto Godói e Jorge Patino Macaco jamais imaginaram que essa irmandade iria virar uma guerra que culminou com duas lutas de jiu-jitsu e uma de MMA. Após a briga, Godói chamou Macaco para treinar na “Senzala”, academia improvisada em sua casa. A amizade era tão grande que Godói dizia que “o Macaco era mais meu irmão que o Osvaldo, meu irmão de sangue”.

Em 1997 abriram uma das maiores academias da história do jiu-jitsu de São Paulo, a Godói & Macaco, onde chegaram a ter cerca de 300 alunos. A equipe disputava os grandes campeonatos em condições de igualdade com as tradicionais equipes.

No entanto, em 2001 o paraíso começou a ruir. Godói acusava Macaco de não pensar na equipe e não aparecer no treino dos graduados. Nessa época, Macaco se tornou evangélico, e segundo Godói mudou completamente, chegando inclusive a incentivar rixas de seus alunos com os alunos de Godói. Já Macaco reclamava que Godói não colocava o dele na reta, não queria saber de lutar MMA, e que a religião tinha feito com que parasse de usar drogas e de brigar na rua. Macaco alegava ciúmes de Godoi, dizendo que era ele quem dava visibilidade à academia, que passou a ser conhecida como a academia do Macaco.

Quando romperam a sociedade, houve acusações mútuas de desonestidade quanto à divisão dos lucros. Macaco alegava que Osvaldo, terceiro sócio da academia estava errando nas contas, e disse para Godói escolher com quem gostaria de continuar a sociedade. Godói preferiu continuar com o irmão de sangue, e a sociedade foi desfeita.

Após muita lavação de roupa suja na imprensa, os rivais se enfrentaram numa luta de kimono, no Desafio Black Belt. A luta foi muito amarrada, com duas vantagens para cada lado, e no final o juiz Fábio Gurgel ergueu a mão de Macaco, gerando muita polêmica.

Em 2006, novo capítulo entre eles, quando a rivalidade foi parar no MMA, no evento Super Challenge. Godói, muito menos experiente no MMA, foi presa fácil para Macaco, que encerrou a luta com socos no 2º round.

Ainda fariam mais uma luta de kimono, na final de um campeonato paulista de jiu-jitsu, com vitória de Godói por pontos (confira o vídeo abaixo):

 

Texto por Fábio Henriques

About Bruno Fugazza

Bruno Fugazza é faixa roxa de Jiu Jitsu, árbitro de MMA, e um eterno apaixonado por artes marciais. Começou com as primeiras quedas no Judo aos 5 anos de idade, passou pelo Muay Thai Muay Thai, até encontrar no Jiu Jitsu o amor verdadeiro. Teve a sorte de ver ao vivo na Califórnia a melhor luta da história do esporte, entre Buchecha e Rodolfo no Mundial de 2012.
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com