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O significado e valor dos Graus

Artigo de Emil Fischer, traduzido do inglês. Original aqui.

Muitas academias tem um sistema de promoção intermediário, que é feito entre as faixas, e isso é feito simplesmente por colocar um pedaço de esparadrapo na ponteira da faixa da pessoa que está graduando. Assim como as faixas, os graus podem ser relativamente arbitrários. Entretanto, os graus tem uma arbitrariedade ainda mais profunda ligada a eles, uma vez que em âmbito de competição, por exemplo, eles não significam nada.

Vamos dar uma olhada na questão dos graus: porque eles existem, seu valor em potencial e também seu potencial de ser inconveniente.

Graus são uma indicação do progresso de uma pessoa através da sua faixa. Assim, uma faixa lisa, ou com um grau, é muito mais distante da próxima faixa do que uma faixa com quatro graus. Os graus proporcionam para os instrutores e professores um modo de dar aos seus alunos uma espécie de feedback, um retorno tangível sobre seu avanço na prática do jiu jitsu.

Ainda, podem servir também como um indicador de como rolar com alguém: alguém com uma faixa lisa ou com apenas um grau pode não ser tão habilidoso quanto alguém com 3 ou 4 graus. Algumas escolas inclusive limitam a possibilidade de rolar na faixa branca, para depois que o  aluno já tem alguma graduação.

Só pra esclarecer: eu acho que os graus podem ser uma ferramenta valorosa pra quem ensina, e com certeza eles tem seu valor no nosso mundo. Não vou criticar o sistema de graduação (seja de graus ou faixas), mas estou mais interessado na abrangência dos termos com os quais frequentemente somos julgados. O meu ponto de vista é de que os graus não importam. Meus graus, seus graus, os graus de qualquer pessoa podem significar muito. Assim como a faixa.

Qual é a qualificação requerida pra um grau na faixa roxa? O entendimento de 5 novas técnicas pra além do grau anterior? Seis? Ganhar alguns campeonatos?
Não há uma resposta universal ou requisitos universais pra se ganhar um grau, então podemos dizer sim, que é arbitrário!

Já vi competidores de topo de linha não ganharem graus em suas faixas por um longo tempo, e também já vi caras que praticam jiu jitsu apenas casualmente ganharem graus bem rápido! Também já treinei em academias que não dão nenhum grau nas faixas, porque eles veem os graus como um meio de “diminuir” a faixa em si.

No final do dia, dá pra dizer que os graus mantém as pessoas interessadas. Demora-se um tempo grande pra se trocar de faixas no jiu jitsu, e os graus acabam sendo pequenas vitórias que mantém os praticantes que talvez não se sintam muito confiantes com seu jogo. Afinal, pode ser frustrante rolar com competidores que tem mais tempo de treinar do que a gente. O grau, portanto, é uma afirmação de que você está indo no caminho certo!

Eu valorizo os graus por essa razão, basicamente. Pessoalmente, vejo que os graus e as faixas tem uma grande significação no âmbito individual justamente por seu caráter arbitrário. Como podemos provar seu significado?

Conta pra gente: qual sua faixa e quantos graus você tem? Todos seus graus trouxeram a sensação de conquista? Ou você dá mais valor pro esforço que levou até o grau do que para o grau em si?

Comenta aí!

  • Deny Figueira

    Acredito fielmente que os graus são uma espécie de motivação para o praticante, por estar avançando até a próxima faixa. Creio também que que o objetivo comum dos praticantes é a almejada faixa preta, então cada grau, cada faixa nos deixa mais perto deste sonho. Mas que essa conquista tenha sido com muito suor e dedicação e que sejam formados verdadeiros faixas pretas.
    Meu nome é Deny, sou faixa roxa da checkmat em Santos/SP e tenho um grau em minha faixa. Oss

    • Jonathan

      Boa! Acredito muito mais num significado particular, no sentido de conquistas, progressos e vitórias pessoais. Dentro do tatame, muitas vezes a cor da faixa ou a graduação dela, não representam jiu-jitsu em si.
      OSS

      • Deny Figueira

        Exato, por isso falei da dedicação e do suor para formar verdadeiros faixas pretas. Hoje vejo mto enganacão por aí!

  • Mário Sérgio de Magalhães

    Comecei a treinar JJ há bem pouco tempo, sou faixa branca com 1 grau. Mas tenho background extenso em karatê, que treino desde os 11 anos de idade (tenho 41 agora). treinei judô também na infância, cheguei à faixa vermelha. Quando mais novo ficava bastante ansioso pelas promoções de grau/faixa, dava grande importância a isso. Até o dia que descobri que as cores das faixas foram uma invenção relativamente moderna do próprio Jigoro Kano (pai do judô e JJ japonês) para facilitar a implantação de seu sistema em bancos escolares e como já dito acima, estimular os alunos pela visibilidade de progresso. Isso foi essencial na ocidentalização das artes marciais, visto o imediatismo das culturas ocidentais. No japão só se usava faixa branca e a faixa preta (após o estudante adquirir os conhecimentos suficientes) e a partir daí realmente iniciava a progressão em “dans” (que traduzimos como graus). A partir dessa descoberta fui diminuindo a importância que eu dava para a cor das faixas, ao ponto de que após 30 anos de karatê sou faixa marrom, pois deixei de treinar com meu mestre original antes de graduar para preta, e optei por nunca recebê-la se não fosse por ele. Isso em nada diminui meu conhecimento da arte.
    No JJ acho interessante a progressão lenta, justamente porque ela afasta os afoitos e imediatistas. Mas também me incomoda o recebimento de graus apenas por tempo de treino ou comparecimento às aulas, pois elimina o fator mérito/aptidão. No karatê não seguíamos a progressão habitual de faixas da federação, onde treinando regularmente, pode-se alcançar a faixa preta em 3 anos. Levei 10 anos para chegar à marrom e não me tornei preta justamente porque meu sensei acreditava que a idade/maturidade era fator a ser considerado na graduação. E ele graduava os alunos de acordo com suas observações nos treinos, com diferentes ritmos de progressão. Nem sempre o mais graduado treinava há mais tempo. Achava isso ótimo.
    Obviamente não espero que todos pensem como eu. Para uns é muito importante perceber o progresso passando pelas etapas dos graus e faixas. Mas eu fui mais feliz abstraindo disso. Inclusive agora no JJ posto que a graduação na academia onde treino ocorre por comparecimento, e eu só tenho a oportunidade de treinar metade do mês. Se eu me incomodasse em ver outros colegas que iniciaram depois de mim graduando mais rapidamente, desmotivaria fácil. Oss

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