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O imenso potencial de Mackenzie Dern

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Mackenzie Dern recebe troféus como melhor atleta de Jiu-jítsu com e sem Kimono. (Reprodução: Instagram)

O esporte em geral sempre foi um assunto que gerou, continua e continuará gerando, interesse em muitas pessoas de todas as partes do mundo e por conta desse interesse, os mais diferentes esportes são alvo de cobertura diária das mídias locais e internacionais. Essa cobertura tem o poder de alçar atletas a status de celebridades mundialmente conhecidas, além do fato de termos as redes sociais como instrumentos de interação dos atletas com seu público e poderosas ferramentas de marketing pessoal. Mesmo no MMA, que é um esporte ainda com uma história pequena se comparado aos outros, tem sido recorrente a preocupação dos atletas e seus respectivos staffs com o lado midiático. Gerar buzz, seja nas redes sociais ou em entrevistas, para se manter como assunto e assim “vender” suas lutas. “Vender”, como dizem no jargão, virou uma característica necessária aos atletas. Essa necessidade vem do fato que o maior dos eventos de MMA, o UFC, acaba recompensando melhor os atletas que são bons vendedores, pois se um atleta vende bem aumenta os números e consequentemente os lucros do evento, que apesar de trabalhar com o esporte, é uma empresa com fins lucrativos e toma algumas decisões pensando no ponto de vista comercial que por vezes podem acabar sendo bastante controversas no ponto de vista esportivo, mas isso é um papo interminável para outras colunas. Com essa possibilidade de melhores recompensas alguns lutadores fazem de tudo nas redes sociais, seja interagindo com os fãs, provocando possíveis oponentes no Twitter , nas entrevistas sendo adeptos do famoso trash talking como Chael Sonnen (que muitos dizem ter ido além do que a sua qualidade como lutador o levaria) ou Conor McGregor. Alguns não fazem o estilo provocador, mas utilizam-se de seu carisma para estarem sempre em evidência.

Algumas meninas carregam consigo o status de musa, que embora também possa gerar comentários negativos do tipo “só está aí porque é bonitinha” faz com que os olhos dos expectadores possam se voltar a uma determinada atleta facilitando a divulgação de seu trabalho. O maior fenômeno midiático do WMMA Ronda Rousey chamou a atenção pela beleza, pela qualidade das suas primeiras performances, algum carisma e a capacidade de atrair lovers e haters na mesma intensidade. Temos ainda um exemplo peculiar de grande sucesso nos números do ex-campeão dos meio-médios Georges St-Pierre que, além de estar sempre citado no rol dos maiores atletas de todos os tempos, era um vendedor expressivo por ser queridinho de uma nação e assim trazendo consigo todo o Canadá a cada vez que subia no Octagon.

Mas vamos deixar, por ora, a reflexão em cima dos atletas do Ultimate, já que MMA não é só o UFC e voltar nossas atenções um pouquinho para a Louisiana que além de abrigar uma cidade famosa pela qualidade de sua música (New Orleans), recebeu na pequena Lake Charles, o evento Legacy (que o colega Juan Macedo detalhou aqui) na sua edição de número 58.

A luta principal da noite foi entre outro grande nome do jiu-jítsu, Robert Drysdale, contra Ryan Spann valendo o cinturão dos meio-pesados, mas muito dos holofotes e da expectativa do público estavam voltados para a estréia de Mackenzie Dern, que dominou o combate e venceu na decisão dos jurados após 3 rounds.

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Mackenzie e sua adversária Kenia Rosas, após a pesagem. (Reprodução: Instagram)

Todos que tem algum interesse por esportes de combate, em especial o jiu-jítsu, mesmo que não acompanhem de tão perto já ouviram falar em Mackenzie Dern. Mackenzie é filha do grande Wellington “Megaton” Dias e praticamente nasceu em um tatame começando a treinar ainda bem criança e chegando à faixa-preta antes dos 20 anos, sendo reconhecida como um dos grandes nomes do jiu-jitsu feminino por ter sido campeã mundial em todas as faixas além do ADCC e mesmo ainda tão jovem (23 anos) já não tinha láureas no pano que ela não tivesse conquistado, o que a levou a seguir o caminho antes percorrido por outros grandes nomes do jiu-jítsu e migrasse para o MMA fazendo a estreia no dia 22/07.

Ainda foi apenas a estreia em um novo esporte e há certamente um longo caminho a percorrer para se juntar às tops da categoria, mas pela expectativa gerada nos fãs e na mídia e a atenção que foi dada a sua estreia, podemos dizer que Mackenzie tem tudo para se tornar uma queridinha dos fãs e atrair cada vez mais olhares e sobre isso vamos refletir mais um pouco levando em consideração o que já foi falado sobre mídia e promoção de lutas.

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Mackenzie posando para um se seus patrocinadores. (Reprodução: Instagram)

Mackenzie Dern é ainda muito jovem, o que faz com que ela não precise acelerar muito seus passos se dando tempo suficiente para a necessária evolução esportiva ocorrer e por ter se juntado a um bom time na MMA Lab, onde treina entre outros, o ex-campeão do UFC Benson Henderson, que inclusive foi seu córner na estreia, a expectativa é de que vejamos uma lutadora ainda melhor em sua segunda aparição.

Mackenzie além de jovem é muito bonita e aparenta pelas suas redes sociais também ser muito carismática, o que a enquadraria tranquilamente no rótulo de musa ajudando-a atrair os (poucos) olhares do fã mais casual que não acompanhou a sua carreira no jiu-jitsu e sua estreia no MMA. Além disso, Mackenzie traz consigo uma grande base de fãs dos tempos da luta agarrada que certamente estão na torcida e bastante curiosos para saber como será sua carreira no MMA, além dessa base de fãs já conquistada tem um outro ponto que me chama muito a atenção:

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Mackenzie Dern com seus dois passaportes antes de uma viagem. (Reprodução: Instagram)

Citei no começo da coluna o exemplo de GSP, que virou queridinho nacional do Canadá e com toda essa atenção de um país conseguiu ser um dos maiores, quiçá o maior, destaque nas vendas de PPV. Vou rumar da América do Norte para a do Sul e refletir um pouquinho sobre o público brasileiro (no meu ponto de vista). Eu noto que o público nos eventos no Brasil não se interessam nada por lutas entre dois gringos, tem algum interesse por lutas entre brasileiros, que só é mais forte quando se tratam de dois grandes nomes, e gostam mesmo é de ver (com o perdão da palavra) Brasileiro metendo a porrada em gringo. E até nessa questão da nacionalidade Mackenzie tem uma grande vantagem: Mackenzie é nascida nos Estados Unidos, mas também tem cidadania brasileira por conta de seu pai. Ou seja, Mackenzie é cidadã dos dois maiores polos e mercados consumidores do MMA mundial, fala muito bem os dois idiomas (como no vídeo abaixo em português) e isso bem trabalhado poderá converter-se em uma fantástica oportunidade de mídia para a atleta. Desde o anúncio da transição até depois do combate, muitas colunas deram notas a respeito da luta de Mackenzie ou fazendo menção a dupla-cidadania ou ainda tratando-a como nacional, como nessa matéria do UOL .

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A video posted by Mackenzie Dern (@mackenziedern) on

Musa, carismática, com uma boa base de fãs, excelência numa das artes, muito jovem com uma longa carreira pela frente e um potencial esportivo e midiático enorme a ser desenvolvido, Mackenzie tem muitas das características dos atletas em maior evidência no MMA e caso tudo corra bem é possível que dentro de alguns anos o dia 22/07/2016 vá ser revisitado e fique marcado como o começo da caminhada de uma das grandes estrelas também do MMA feminino.

Os fãs já devem estar ansiosos pelos próximos capítulos. Boa Sorte, Mackenzie

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