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Justin Gaethje: prosperando entre o caos

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Image via WSOF

Quando o UFC anunciou o seu próprio sistema de ranking, muitos da esfera do MMA pensaram que seria um absurdo. Um grupo de pessoas de competência variada foi organizado para criar rankings que muitas vezes refletem principalmente quem recebeu a maior cobertura da mídia naquele mês. Eles conseguiram, no entanto, que talentos fora do UFC ficassem em segundo plano nas discussões sobre MMA. Os rankings do UFC agora são considerados os rankings do MMA até por muitos conhecedores, fãs veteranos.

Mas os rankings são só um consolo. Nos agarramos à eles por causa da imprevisibilidade desse esporte e os casamentos de jogo que destroem a noção de que “x é melhor do que y e por conseguinte deve ser melhor do que z”. Eles simplesmente nos permitem recompensar aqueles poucos lutadores que conseguem ser consistentes no meio desse caos. Talvez a história mais interessante da divisão dos leves esteja se desenrolando longe dos rankings do UFC e o foco dela está em torno de um homem que rotineiramente incentiva as lutas a se desenvolverem no meio do caos mas ainda não sentiu o gosto de uma derrota lá. É claro que estou me referindo ao campeão peso leve do WSOF, Justin Gaethje.

Para ser claro, você não vai me ver tentando retratar Gaethje como um lutador perfeito. Se isso existisse, Gaethje sofreria muito dano para ser retratado assim. Mas o fato é que “perfeito” não existe na luta. Existem lutadores técnicos e lutadores brigadores, lutadores que se baseiam em seu timing e lutadores que se baseiam em sua velocidade. Existem lutadores que confiam em alguns de seus atributos físicos, e outros lutadores que confiam em outras coisas. Justin Gaethje  usa de sua durabilidade e seu poder de nocaute,  no meio de simples mas efetivos set ups e contragolpes no tempo certo. O que vou dizer sobre Gaethje é que seu estilo, seus atributos, e a natureza das lutas que ele força seus oponentes a entrar são mais do que suficiente para questionar as habilidades de qualquer um que você consiga nomear no peso leve.

A última luta de Gaethje aconteceu no WSOF 29. Enfrentando um duro veterano, Brian Foster, Gaethje fez seu trabalho em menos de dois minutos com chutes baixos poderosos e no tempo certo para magoar a perna dianteira de Foster.

Ele levanta os seus antebraços e os coloca nos lados da cabeça e coloca o queixo no peito. Na tentativa de receber os golpes com a parte mais dura da cabeça, onde eles provavelmente não serão sentidos com qualquer severidade. Quando o oponente joga o seu jab, ele retorna com swings com toda a força.

Aproveitar a recuperação de Foster depois do jab foi um grande truque. Lutadores que estiveram trabalhando muito no boxe podem ter o hábito de permitir que seu joelho dianteiro vire para dentro. Os jabs são excelentes para pontuar no boxe, posicionando o corpo atrás do ombro dianteiro. Ruim quando você terá que defender e receber chutes baixos porque um joelho virado para dentro é um joelho vulnerável.

Embora o que os fãs tenham se atraído em Gaethje seja o seu poder de nocaute. É uma coisa interessante a se observar. Ele lança esses golpes abruptamente, acerta o oponente de raspão, e ainda o lança o oponente ao chão.

Frequentemente ele sai do clinch com socos curtos que balançam as cabeças dos oponentes. Dirty boxing é uma área que poderia ser muito bem usada por wrestlers, mas mantém-se uma das áreas menos usadas no MMA.

 

Uma ótima transição de um controle de pulso para um cruzado de esquerda, seguida de uma perda de equilíbrio característica de Gaethje.

 

Lançando chutes baixos saindo do clinch, a la Anderson Silva.

 

Gaethje é um mestre de várias variações de uppercuts.

 

O que é verdadeiramente hipnótico sobre o Gaethje, e o porquê de eu querer vê-lo no UFC ou Bellator para enfrentar qualquer destino que cedo ou tarde terá que enfrentar, é o fato de que ele está sempre flertando com o absoluto desastre.  Ele é um wrestler talentoso, e ainda assim insiste que suas lutas sejam competitivas em pé e tem um grande orgulho por isso. Mas ele também faz muitas coisas que o colocam em apuros e o força a lutar duramente. Um homem com as habilidades de Gaethje e que lutasse de maneira mais conservada poderia não conseguir os nocautes, mas ele passaria pelos desafios com pouca dificuldade. Parece que é o próprio Gaethje que se coloca em apuros em suas lutas.

Por exemplo, contra Brian Cobb estava bem claro que Gaethje era um wrestler melhor. Ainda assim no primeiro round ele tentou uma joelhada voadora e foi quedado facilmente. Cobb passou o resto do round nas costas de Gaethje. Se os chutes baixos de Gaethje não nocauteassem Cobb no último round, Cobb provavelmente teria vencido na decisão dos juízes.

Ainda que sua reposta por ser quedado seja se levantar e rolar com o oponente até a posição de cem quilos, é fácil ver como você poderia ficar exageradamente confiante.

Similarmente, Gaethje é excelente em acertar o chute baixo de esquerda quando o seu oponente coloca peso em sua perna dianteira, mas ele também é muito bom em esquecer que quando isso acontece (quando o peso do oponente está sobre a perna dianteira), é porque um soco está vindo em sua direção. Bas Rutten, que comentou muitas lutas de Gaethje, tem falado disso por anos. Há uma diferença entre acertar um chute baixo como contragolpe e lançar um chute baixo e ser acertado no rosto.

 

Gaethje sendo pego sobre uma perna por Palomino.

 

Enquanto falta a ele uma defesa inteligente como a do campeão do UFC, Rafael Dos Anjos, ele pressiona os adversários de uma maneira similar. Os oponentes de Gaethje passam a maior parte da luta andando para trás, se protegendo, e depois correndo para voltar ao centro do cage. Uma luta com o Gaethje é uma marcha em direção à exaustão, com uma boa chance de nocaute no caminho.

Portanto a verdadeira questão é como Gaethje vai se desenvolver. Confiando tanto em seus atributos físicos, Gaethje poderia muito bem entrar em decadência quando chegar aos trinta anos. Mas as técnicas brilhantes estão ali com Gaethje , desde contragolpes no tempo certo até uppers com mudança de nível. Ele claramente aprecia a arte da luta em pé e tem tentado aprendê-la, e simplesmente parece preferir o “fazer” e ignora tudo o que “não fazer”. Uma coisa é certa: tanto faz se você vê isso como um desejo de entreter ou um emprego voluntário de estratégias ruins, Garthje é o tipo de lutar que até o fã mais casual quer ver lutar. Empolgante, explosivo, quase não vai para a decisão dos juízes, e mal para por um instante, Gaethje é um cara feito para a televisão.

O UFC deve estar batendo na porta do rapaz com ofertas. Bellator deve estar o procurando para oferecer uma luta contra Will Brooks. E o WSOF deve estar oferecendo grana para que ele assine um contrato mais longo. Onde quer que ele esteja nos próximo anos, você poderá apreciar as suas lutas e o caos por meio do qual ele prospera.

 

O artigo foi apenas traduzido e é de autoria de Jack Slack.

Fonte: http://fightland.vice.com/blog/justin-gaethje-thriving-amid-chaos

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