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Jean Rotondaro: O preço a se pagar por um aluno campeão

 

Vou começar o texto com uma pergunta: Qual o professor não gostaria de ter um campeão brasileiro ou mundial na sua academia? A resposta óbvia seria “todos” para a maioria das pessoas.

Mas será que todo mundo conhece qual o preço geralmente a se pagar por esse aluno campeão?

Explico com um exemplo bastante usual: o aluno quando conquista alguns títulos, na maioria dos casos não quer mais pagar academia, ou muitas vezes, o próprio professor o isenta do pagamento. Pela necessidade de treinar cada vez mais forte, frequentemente ocorre desse competidor acabar lesionando (ainda que não de forma intencional) e afastando aquele aluno que treina por hobby, que corresponde à maioria dos praticantes da arte suave e que é o responsável pelo grosso do faturamento da academia.

Invariavelmente, o professor, no intuito de ajudar esse competidor e mantê-lo na equipe, acaba fazendo vista grossa para esses acontecimentos. Muitas vezes, organiza rifas, seminários e outras maneiras de auxílio com vistas a colaborar no pagamento de taxas de inscrição e viagens, isso quando não colabora do próprio bolso com esses custos.

Indo um pouco além, vou descrever um cenário que está cada vez mais recorrente: o campeão segue treinando sem pagar, vai evoluindo, ganhando campeonatos, até que atinge um ponto em que sente que não está evoluindo mais, que precisa de treinos mais fortes e decide mudar de equipe.

Ou então recebe uma daquelas propostas “irrecusáveis” para treinar em outra equipe, muitas vezes fora do Brasil, onde o novo professor já sabendo que existe ali um grande talento que precisa de apenas um pouco de lapidação, oferece “mundos e fundos” para ter aquele atleta usando o patch de sua equipe e, principalmente, pontuando para ela na disputa por equipes dos grandes torneios.

O antigo professor, que meses antes era visto como um pai passa a ser solenemente ignorado, não recebe sequer um “muito obrigado”, ou qualquer reconhecimento em entrevistas e redes sociais: todos os méritos são do novo professor. Por sua vez, o campeão, que era tratado como um filho, passa a ser visto como ingrato, a epítome do “creonte”. E a pior parte: a relação de amizade e companheirismo se rompe de maneira irreversível, sobrando muita mágoa e ressentimentos de ambos os lados.

Mesmo com o exposto, a maioria dos professores considera que ter campeões na equipe é muito bom, faz bem para o ego, sinaliza que sua didática é correta e representa sem dúvidas uma boa vitrine para a sua academia.

Mas olhando pelo ponto de vista da equipe, no longo prazo, o preço a se pagar costuma valer a pena?

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Jean Rotondaro é faixa preta de Robson Moura e líder da equipe RMNU (Robson Moura Nations United) no Brasil

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