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Eu, meu pai e o tatame: como o Jiu Jitsu mudou a vida do meu pai

Corria o final do ano de 2012, época em que finalmente decidi iniciar a prática de um esporte que sempre admirei, o Jiu-Jitsu. Alguns meses depois, como quem não quer nada, meu pai assistiu um treino. Surgiu então a curiosidade, que aliada à necessidade de fazer alguma atividade física, fez com que ele comprasse seu kimono, sua rashguard, sua faixa e iniciasse os treinos.

Meu pai estava diabético, hipertenso e já havia operado a coluna uma vez devido uma lesão sofrida na praia no início dos anos 2000. O Jiu-Jitsu representava a ele a possibilidade de melhorar e muito sua qualidade de vida. Algum tempo depois, em junho de 2015, subimos um pequeno degrau e conquistávamos o direito de amarrar nossos kimonos com a faixa azul. Estávamos muito felizes por ter atingido juntos esse primeiro objetivo.

Passaram-se alguns meses e a vida nos aplicou um duro golpe: meu pai teria que operar a coluna mais uma vez! A primeira cirurgia não havia resolvido, e ele teve que ser submetido à um procedimento que a primeira vista era algo simples, uma tentativa de aliviar, mesmo que por poucos meses a sua dor. Ficaria algum tempo longe do tatame.

Tempos depois, mais um choque. Uma parada cardiorrespiratória e três dias na UTI; dias difíceis, de angústia, incerteza e muita preocupação. Mais uma vez, com obstinação e perseverança, ele voltou aos treinos depois que saiu do hospital. As dores persistiam e o único caminho era uma nova cirurgia na coluna. Agora ele deveria ficar bom. Deveria, mas como as histórias não são perfeitas, meu pai não fez mais que 5 treinos, pois não aguentava as dores. Os médicos lhe indicavam o emagrecimento como melhor jeito de aliviar a dor.

Vamos para o centro cirúrgico mais uma vez, já estávamos nos acostumando, se é que é possível acostumar com uma coisa dessa. Só que agora iriam mexer no seu estômago. Uma cirurgia bariátrica!

Para quem acha que a cirurgia bariátrica é o caminho menos doloroso, ledo engano. Se a cabeça não estiver focada e disposta aos sacrifícios que o procedimento exige, pode ter certeza que o seu problema será bem maior. Hoje tenho plena convicção que o Jiu-Jitsu deu todas essas ferramentas para que ele pudesse suportar as agruras que se seguiram.

Mas tudo acabou dando certo, e após um tempo ele conseguiu vencer. Hoje o velho está com 70 kg. Perdeu mais de 20 kg, que foram suficientes para devolver a qualidade de vida. Os remédios de diabetes e hipertensão já não fazem mais parte de sua rotina. E as dores? Ainda existem, porém numa intensidade muito menor. O sono melhorou e a alimentação está regrada. Tudo certo para esperar o seu primeiro neto né Pai?

Então começamos a escrever um novo capítulo nessa história: dia 07 de Agosto de 2017, às 19 horas, Sr. Ruberval P. Ramos (Rubinho), meu herói, o protagonista da nossa história, retornou aos tatames, com a alegria de um menino e um baita sorriso no rosto. Só me fez uma única exigência: “Filho, quero você do meu lado no tatame”.

Com a certeza que serei muito amassado pelo meninão de 49 anos, voltamos a treinar juntos. E com alegria de saber que em seguiremos juntos até que nos seja permitido na caminhada do Jiu-Jitsu, eu te desejo Pai, um ótimo Dia dos Pais, e que Deus nos permita uma vida inteira no tatame. Que sua história possa motivar as pessoas da mesma forma que me motiva.

Afinal de contas se o Sr. não desistiu, quem sou eu para desistir?

Bons treinos.

Te Amo Pai!

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