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Com ou Sem Kimono? Eis a questão!

Todos conhecemos a história do Jiu-Jitsu brasileiro, que é a evolução e aperfeiçoamento do jiu-jitsu tradicional japonês, trazido a nós pelo ilustre Conde Koma e ensinado primeiramente ao Grande Mestre Carlos Gracie. Mesmo com todas as transformações que deram origem ao nosso Jiu-Jitsu, uma característica permaneceu intacta: o uso do kimono.

O kimono é usado nas artes marciais com a finalidade de simular as roupas que usamos no dia a dia, aproximando as situações técnicas do treino das situações reais de rua. Juntamente com o conjunto de filosofias das artes marciais orientais, o kimono também proporciona um aspecto formal, solene e austero aos dojôs.

Em termos técnicos, principalmente o Jiu-Jitsu e o judô desenvolveram uma infinidade de golpes e posições onde o uso das pegadas do kimono são essenciais e, assim, as décadas foram passando e o cenário das artes marciais foi evoluindo.

Voltando especificamente ao cenário do Jiu-Jitsu, os primeiros desafios de Vale-Tudo eram confrontos entre artes marciais, arte contra arte, onde os irmãos Gracie, mais proeminentemente Hélio, atuavam em combates quase sem regras vestindo kimono contra representantes da capoeira, boxe, catch, etc. Carlson Gracie, primogênito de Carlos, quebrou a “tradição” e atuava apenas de calção em seus desafios de Vale-Tudo. Royce Gracie, um dos filhos de Hélio, nos primórdios do UFC, também usava o kimono enquanto assombrava o mundo finalizando adversários muito mais fortes.

Então, a evolução definitiva do Vale-Tudo aconteceu quando os lutadores de outras modalidades entenderam que precisavam aprender o Brazilian Jiu-Jitsu para se defenderem dos “brasileiros que usam kimono”.

Com a proibição do uso do kimono nos eventos de MMA, juntamente com o grande número de lutadores que nunca fizeram questão do seu uso nesses eventos, a necessidade de adaptar o Jiu-Jitsu para o treinamento sem kimono tornou-se essencial.

No âmbito do Jiu-Jitsu competitivo, atualmente as federações oferecem opções de campeonatos sem kimono, dando oportunidades para os atletas que optam por essa modalidade e também para aqueles que preferem o uso do kimono possam testar-se sem ele.

O grande incentivador do Jiu-Jitsu sem kimono (No Gi ou Submission) é o Sheik Tahnoon Bin Zayed, dos Emirados Árabes.

Ao criar o ABU DHABI COMBAT CHAMPIONSHIP, o príncipe proporcionou aos grapplers a possibilidade de competirem em um evento profissional, com premiações em dinheiro e, especialmente para os atletas oriundos do Jiu-Jitsu, surgiu a possibilidade de serem atletas profissionais sem precisarem migrar para o MMA. Para isso, o kimono precisou ceder espaço para os treinos No Gi.

As características de treino com e sem kimono são bem peculiares. No treino de kimono, temos 100% de opções técnicas usando o recurso das pegadas no pano, seja para estabilizar uma determinada posição, seja para finalizar com um estrangulamento, por exemplo. Quando o kimono sai de cena, as pegadas têm que ser adaptadas, o jogo fica mais fluido e intenso; sem ter onde pegar ou segurar, devemos conhecer bem o conceito das posições, seus objetivos, para então conseguir adaptar bem as técnicas para o No Gi.

Os treinos com e sem kimono são COMPLEMENTARES. Um não substitui o outro. Os treinos sem kimono servem para aperfeiçoar as técnicas de kimono, enquanto nos treinos de kimono aperfeiçoamos os princípios básicos do Jiu-Jitsu.

O submission apresenta ainda uma característica logística importante: por não depender do kimono, que é um equipamento relativamente caro, pode ser praticado mais facilmente por um público de menor capacidade financeira, também facilitando na implantação de projetos sociais justamente por essa facilidade.

Hora do treino!

Até a próxima!

OSS

About Andrei Santiago

Andrei Gustavo Santiago é militar e um dos faixas pretas professores do Prime Team BJJ, no Rio de Janeiro. A paixão pelo Jiu-Jitsu surgiu assistindo as atuações de Royce Gracie nos primórdios do UFC. Torce para que a Arte Suave não se torne esporte olímpico, pelo bem do esporte.
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