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Coluna Jiu Jitsu aos 40: Ou “Garçom, me traz um elefante!”

“ – Sim senhor!”
“ – Não senhor!”
“ – Senhor, eu desisto!”

Diz a lenda que essas são as 3 únicas frases permitidas durante a Hell Week, a Semana Infernal, aos candidatos a se tornar um US Navy Seal. Os aprovados no curso, apenas um em cada 7 inscritos, farão parte da elite das forças de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos, uma das principais forças especiais militares do planeta, após passarem por quase 6 meses de um treinamento excruciante que invariavelmente leva seus participantes aos limites da resistência física e mental.

Para suportar as agruras e rigores do curso, os Seals desenvolveram algumas técnicas. A primeira delas começa com uma pergunta: como comer um elefante?

De fato, quando nos comprometemos com uma meta extremamente desafiadora, temos a tendência a nos assustar. Apegados que estamos à nossa zona de conforto, muitas vezes desistimos antes mesmo de tentar. A resposta dos Seals para essa pergunta reside em uma simples palavra: segmentação. Divida o elefante em partes que cabem na boca, evitando pensar no problema como um todo para não se sentir desestimulado.

Depois de decidir voltar às competições, esse representava o meu próximo passo, planejar e dividir o que era preciso fazer. A primeira – e óbvia constatação: zona de conforto passaria a ser um lugar utópico, quase como o Castelo de Oz, e eu deveria imaginar a estrada de tijolos amarelos que me levaria a ela como total e definitivamente intransitável.

Na minha lista de afazeres, constavam uma mudança radical na dieta, para me ajudar na perda de peso e deixar meu organismo mais saudável; aumento na carga de treinamentos de kimono; ajuste na parte técnica do treino, para corrigir falhas e deixar os golpes no automático; atenção especial na preparação física, para que na hora H não falte gasolina no tanque; precaução redobrada com possíveis e infelizmente quase inevitáveis lesões; respeito aos sinais de fadiga e cansaço do corpo, descansando suficientemente sempre que necessário; e por fim, foco e resiliência mental para conseguir levar a cabo toda essa empreitada.

No início, é quase como se você fosse Hércules, diante dos 12 trabalhos. Você imagina: “não existe a menor possibilidade de fazer tudo isso”. Nesse processo todo, a evolução ocorre aos poucos, e é primordial ter isso em mente. Focar nas partes e concluir pequenas tarefas, comemorando cada pequena conquista torna a caminhada mais prazerosa e factível.

Pesquisando na internet, descobri com muita surpresa que a carne do elefante, além de comestível, é servida em alguns lugares como iguaria requintadíssima. Penso em voz alta:

“Garçom, por favor, me vê um elefante!”

Faltam 67 dias.

***

Releia as colunas anteriores da série “Jiu Jitsu aos 40”:

Coluna 1 – Até que esse coroa é duro hein

Coluna 2 – Alô, é da casa do leão sem dentes?

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Fábio de Jesus

Me segue lá no Instagram para acompanhar essa jornada no dia a dia: @jiujitsuaos40 !

 

  • Antonio Fontes Filho

    Excelente,
    Tanto no esporte como em nosso dia dia passamos por situações difíceis e as vezes não encontramos solução por não pensarmos dessa forma.
    👊🏽

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