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Coluna Jiu Jitsu aos 40: Ou “Caindo pra dentro de 1000 Godzilas”

Puxe pela memoría: alguma vez você já viu Roger, Rodolfo, Lo ou qualquer outro campeão com os olhos vidrados, escarlate de vergonha e sangrando como um César apunhalado após uma derrota? Nunca, não é mesmo? Então, por que seria diferente com você? Por que você deveria dar uma importância desmedida ao resultado de um campeonato?

Alguns praticantes vão mais além, e tratam os treinos dentro da academia da mesma maneira; não admitem perder de jeito nenhum, principalmente para alguém menos graduado.

Vivo o jiu-jitsu há quase 25 anos, e já vi inúmeros praticantes, muitos deles  extremamente talentosos, desistirem de entrar em competições por causa do medo do que os outros vão pensar, ou por não quererem perder uma “coroa” imaginária. Esse tipo de visão é extremamente prejudicial, porque a aversão em se arriscar faz com que você comece a escolher treinos mais fáceis e faça um jogo mais conservador, focado no que você faz bem. Pode ser eficiente para evitar finalizações, mas estagna irremediavelmente a sua evolução no tatame. E vou te falar, com base na minha experiência: tudo o que você negligenciar nos treinos, vai aparecer no campeonato, uma hora ou outra.

Por isso, uma das coisas mais importantes é matar o seu ego, especialmente nos treinos do dia a dia. Nessa hora, sua única preocupação tem que ser evoluir e corrigir os buracos e falhas do seu jogo. Você está lá, acima de qualquer outra coisa, para, aprender e se aperfeiçoar. Para isso, você tem que se expor, se testar, às vezes caindo em posições em que não é mais possível defender, e, frequentemente, bater. Humildade é a palavra chave.

Percebo que essa mentalidade é mais difícil de ser assimilada pela galera com mais tempo de jiu-jitsu. Como são graduados há bastante tempo, geralmente treinam com parceiros que não têm a mesma rodagem, e se desacostumaram  ao fato de ter que dar os três tapinhas. Para esses, uma toxoplasmose ou uma tuberculose bilateral é mais benvinda do que rolar com aquele garotão mais novo, que treina 3x por dia, tem a força de mil godzilas e passa os dias ceifando, dizimando, e devastando articulações e pescoços dos desavisados.

Vou contar agora uma novidade que pode parecer surpreendente: Você não vai perder aquela promoção tão esperada no trabalho porque não foi o campeão. Nenhuma garota vai te rejeitar na noitada se pegarem seu braço e te forçarem a bater em desistência. Seus colegas de trabalho não cochicharão quando você passar, com olhares julgadores e ferinos, só porque a medalha de ouro não foi parar no seu pescoço. Da mesma maneira, as contas vão continuar chegando na sua caixa de correio, o mundo vai continuar girando, você ainda terá que estudar para aquela prova, sua família vai continuar te amando e sua namorada vai continuar reclamando da sua bagunça na casa. O mesmo vale se você voltar para casa após uma competição com mais ouro na bagagem que um garimpeiro de Serra Pelada.

Meu conselho, se é que posso dá-los, é: Deixe seu Ego na porta da academia. Vá com tudo nos treinos, e se tiver que bater, bata e comece tudo de novo. Não seja o seu próprio inimigo. Ou você quer chegar na hora do campeonato e ser estrangulado num relógio, porque nunca se deixou passar por isso na academia?

Faltam 60 dias.

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Releia as colunas anteriores da série “Jiu Jitsu aos 40”:

Coluna 1 – Até que esse coroa é duro hein

Coluna 2 – Alô, é da casa do leão sem dentes?

Coluna 3 – Garçom, me traz um elefante!

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Fábio de Jesus

Me segue lá no Instagram para acompanhar essa jornada no dia a dia: @jiujitsuaos40 !

 

 

  • Bruno Rossi

    Muito bom o post Fabinho!!!

  • Antonio Fontes Filho

    Bem isso Fabinho!!!

  • Luis Fernando Silva

    Ficou fera Fabinho!

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