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Coluna: Jiu Jitsu aos 40 (ou “Até que esse coroa é duro hein”)

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Você entra no tatame e todo mundo sorri amistosamente para você. Alguns cumprimentam com um misto de reverência e respeito, te fazendo uma série de mesuras. Chuvas de “oss”. Outros te observam como se estivessem vendo um dinossauro caminhando numa loja de cristais. Na verdade, talvez seja por aí mesmo; apesar de cada vez termos mais lutadores nas categorias master nos principais campeonatos, faixas-pretas acima de 30 anos não costumam ser o grupo mais populoso nos tatames pelo mundo.

Mesmo com todo respeito demonstrado, você não se engana. Tem um alvo nas suas costas. Ostentar uma faixa-preta faz com que a meta de vida de muitos coloridas seja colocar um carimbo na sua fuselagem, te obrigando a dar os três tapinhas. Eu compreendo, me amarrava em colocar os mais graduados para batucar na minha época de colorida. Paro um pouco e me espanto: faz 10 anos desde que o professor Claudionor Cardoso desamarrou a minha faixa-marrom e atou uma preta em mim.

Lembro que pisei num tatame pela primeira vez há quase 25 anos, a maioria da galera que treina comigo não era nem nascida. Todo esse tempo de jiu-jitsu cobra um preço: as articulações foram exigidas demais, e requerem cuidado constante; minhas mãos parecem duas garras, com dedos tortos graças a inúmeras lesões mal curadas. Os joelhos reclamam se ficar muito tempo ajoelhado. Só consigo dormir deitado de um jeito específico, caso contrário acordo no meio da noite com os ombros destruídos.

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Meu nome é Fábio Jesus, da equipe Gracie Humaitá de Cuiabá, Mato Grosso. Completo 40 anos em dezembro, e há aproximadamente um ano e meio resolvi encarar um treinamento mais puxado e participar com mais frequência dos torneios da IBJJF. Luto na faixa-preta peso leve, master 2. Ano passado competi no Mundial de Masters em Las Vegas e Mundial No Gi em San Francisco, e esse ano já lutei no Europeu em Lisboa, Floripa Open, onde fui campeão, e o Curitiba Open.

Essa coluna vai falar da minha preparação para o Mundial de Masters em Las Vegas no final de agosto, mostrando a vida de um faixa-preta aos 40 anos, que não vive do jiu-jitsu mas que adora sentir a adrenalina de competir.

Faltam 81 dias.

Siga o Fábio no Instagram para acompanhar essa jornada no dia a dia: @jiujitsuaos40 !

  • MGessinger

    A dedicação desse cara é impressionante, ainda mais se tratando de alguém que não vive do jiu-jitsu, parabéns mestrão, Storm sempre!

  • Luis Fernando Silva

    Boa mestre! A cada dia que passa você surpreende e continua servindo de motivação para quem divide ou já dividiu o tatame com você. Já é exemplo há anos. A sua dedicação nos mostra que os limitações do corpo, a idade e outros “mi mi mi ” podem ser guardados no bolso porque foco é força! Tamos juntos sempre irmão!

  • Rodrigo Fischdick

    Grande Fabinho! Me identifico completamente com as suas observações, até por já estar perto de completar 45! Após uma vida inteira de prática do judô, encontro em você, no nosso mestre Marcos Antônio Medeiros, e nos nossos companheiros da Gracie Humaitá – Cuiabá, a motivação para continuar treinando e me aperfeiçoando sempre, correndo atrás de conquistar a minha segunda faixa-preta, agora nessa nossa amada arte suave! Participar diretamente dessa sua preparação só me fez admirar ainda mais a grande pessoa que você é, um grande exemplo para todos nós da Família Gracie Humaitá! Grande abraço irmão!

  • Augusto Carlos Marchetti

    Grande “Fabinho”. Um cara 100%.
    Excelente linhagem, técnica apurada mas, acima de tudo, uma pessoa ímpar.
    Dedicado, amigo, honesto, companheiro e leal. Esses foram os ingredientes que moldaram, seus resultados.
    Força. Em breve teremos medalhas e troféus chegando.
    Forte abraço. E toma mais um Oss.

  • CHINES

    Continue firme guerreiro.

  • Bruno Rossi

    Muito bom seu ponto de vista Fabinho!! Mesmo vc tendo essa visão do tatame, a visão que seus alunos e outros companheiros mais novos tem é que vc é um cara casca dura, cheio de gás e que ta longe do conceito literal de cara 40tão!!! Abração

  • Antonio Fontes Filho

    Desde 1994 praticando JiuJitsu e desde 1998/1999 treinando com meu Brother Fabio Jesus.
    Hoje estou com 43 anos, e você é uma das pessoas que me motiva a continuar nessa caminhada, mesmo com todas as dores e demônios.
    Me organizando para participar ainda esse ano de alguma etapa do Master e sentir a adrenalina depois dos 40.
    Valeu meu Brother

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