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Coluna do Ítallo Vilardo: Treinamento de Força para Atletas

No sentido geral, a força do homem é definida como a capacidade de superar a resistência externa à custa dos esforços musculares. O esforço poderá ser manifestado uma vez só, repetidamente, durante o trabalho cíclico e alternado, com grande ou pequena resistência, de altas velocidades de movimentos ou devagar. Podendo ter lugar, regimes diferentes do trabalho muscular: dinâmico, isométrico, ou regime misto.

Para atletas de esportes de combate (lutas) o regime misto é o mais orientado, devido as características singulares do esporte.

Na luta não existe uma padronização de movimentos, em certos momentos temos que empurrar o oponente, no momento seguinte já temos que puxar, ou manter o oponente fixo em uma posição por um determinado período de tempo (isometria). Essas características fazem com que a preparação física do esporte de combate seja muito importante, e saber trabalhar e orientar a preparação física é mais importante ainda, para que não aconteça o caminho contrário, ao invés de melhorar, piorar ou estagnar o atleta. Para montarmos o treino físico para um atleta de esporte de combate, temos que levar em conta algumas considerações:

– Quanto mais específico melhor.
– Não pode ser mais puxado que o treino da própria luta, pois o treino de luta faz parte da preparação física.
– Programas menores com volumes pequenos, mas com intensidade variada.
– Dividir o treinamento em ciclos.

O trabalho de força com atletas, de maneira geral, começa com exercícios mais simples, passando para exercícios mais complexos e que recrutem uma maior quantidade de fibras musculares. Durante o treinamento ocorre variações nos exercícios, como uma pequena diminuição no volume e aumento da intensidade, com o incremento constante de carga e outros. Pode ser dividido de várias formas, desde o trabalho de força pura, passando pelo trabalho de força específica, força explosiva e até mesmo um trabalho lático. Todos esses trabalhos dependem da fase do treinamento (ciclo de treino) em que o atleta se encontra. Como um exemplo mais simples de organização de treino, podemos citar a periodização ondulatória, que contém as seguintes características:

– Visa o aumento global da capacidade de desempenho de força do atleta a longo prazo.
– Essa forma de periodização visa variações mais acentuadas na carga de treinamento.
-Tais variações acontecem a cada uma ou duas semanas ou a cada sessão de treinamento.
– O calendário competitivo determina o que deverá ser enfatizado em cada etapa.
– Boa opção para o treinamento da força em academias com indivíduos com elevado nível de treinamento.

Uma preocupação é em relação a quais exercícios devemos fazer. Quando trabalhamos uma musculatura isolada (peitoral, por exemplo) devemos priorizar o movimento que recrute maior unidades de fibras musculares.

Durante uma luta utilizamos vários tipos de movimento, por isso o treino deve ser voltado para a musculatura agonista e antagonista, o seja a musculatura oposta à que estamos malhando, se você fez um movimento de empurrar, faça um de puxar em seguida, pois além da especificidade do movimento, ajuda a manter um equilíbrio muscular. E devemos nos preocupar também com as musculaturas sinergistas do movimento.

Exercícios mais complexos, como os levantamentos olímpicos por exemplo (arranque e arremesso) são muito indicados por recrutaram grande quantidade de fibras musculares, e trabalharem desde força apura, até a explosão muscular. Sendo que esses exercícios são indicados somente para atletas altamente treinados, e devem ser feitos sobre orientação e supervisão de um profissional da área, e além disso deve se ter uma boa progressão pedagógica e adaptação para a realidade do atleta de luta, sempre tenha em mente que: “atletas de levantamento olímpico treinam de uma forma diferente dos atletas que utilizam os exercícios de levantamento olímpico no seu treinamento. Levantamento olímpico como prova olímpica é uma coisa, como método de treino é outra”.

Os exercícios funcionais (os específicos, e não esses que vemos hoje em dia que não tem nenhuma correlação com a atividade principal), também são de grande importância no processo de treinamento, e eles devem ser periodizados e organizados da mesma forma que os outros exercícios (de musculação e LPO por exemplo), utilizem eles no trabalho de força pura, de resistência, de potência…

De um modo geral, o trabalho de força não pode ser mais puxado do que o treino específico, pois a técnica é mais importante que a força, o treino físico serve para melhorar o desempenho esportivo e auxiliar o atleta na hora do treino principal e por isso não pode ser a parte principal do treino, por isso exige um controle maior de volume e intensidade, além disso o próprio treino de luta pode ser considerado um treino físico. Quanto mais específico for, e quanto mais se aproximar da realidade da modalidade do atleta, mais benefícios conseguem ser alcançados. Qualquer exercício pode ser feito, mais quanto mais seu treinador e preparador físico conhecer a modalidade, mais benefícios os exercícios podem trazer.

-Ítallo Vilardo – Preparação Fisica especializada em esportes de combate-

www.itallovilardo.com
itallovilardo@yahoo.com.br

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