Home / Colunas / Coluna do Dr. Thairon: Luxação Acrômio-Clavicular – A lesão de Renato Cardoso

Coluna do Dr. Thairon: Luxação Acrômio-Clavicular – A lesão de Renato Cardoso

Recentemente um dos nossos melhores faixa pretas radicados no Brasil, o atleta Renato Cardoso sofreu uma lesão no ombro durante um seminário beneficente para ajudar um atleta amigo. Por ter se tratado de uma lesão mais extensa ( grau 5), o atleta necessitou de um procedimento cirúrgico de urgência realizado pelo excelente ortopedista do Grupo de Ombro e Cotovelo do IOT – HC – FMUSP, Dr Mauro Gracitelli, estando agora em fase de reabilitação. Na matéria de hoje falarei um pouco mais da lesão da articulação acrômio-clavicular (L.A.C.)

ANATOMIA:

A articulação acrômio-clavicular une o osso da clavícula à escápula sendo uma das articulações que compõem o ombro.

Os principais ligamentos dessa articulação são Ligamento Coracoclavicular ( dividido em dois ligamentos: Ligamento Trapezoide e Ligamento Conoide) e o Ligamento acrômio-clavicular. A harmonia entre esses ligamentos auxiliam na estabilização do ombro durante seus movimentos, principalmente na elevação lateral.

ENTENDENDO A LESÃO:

A lesão é comum entre lutadores e ocorre mais frequentemente durante uma projeção quando o atleta sofre uma queda com trauma direto sobre o ombro, podendo ocorrer ruptura total ou parcial dos ligamentos.

 

CLASSIFICAÇÃO DA LESÃO E SINTOMAS:

Classificamos em 06 graus:

1 – há uma distensão do ligamento acrômioclavicular causando dor na região de cima do ombro sem deformidades visíveis.
2 – há ruptura de parte dos ligamentos, mas os ligamentos inferiores mantem a articulação estável e os sintomas são semelhantes ao nível 1, com um edema um pouco mais intenso na região superior do ombro.

3 – ruptura completa dos ligamentos, havendo uma elevação da porção lateral da clavícula de 25 a 100% em relação ao normal, dor e hematoma no local.

 

Nos graus 4, 5 e 6 o tratamento de escolha é cirúrgico devido ao grande deslocamento,  lesão muscular associada ou  a clavícula está em posição inadequada em relação à escápula.

COMO DIAGNOSTICAR?

A história típica de queda sobre o ombro, dor em cima do ombro e quando há deformidade visível o “sinal do cabide”, praticamente define o diagnóstico. O Raio X comparativo das duas clavículas ajuda a definir o grau de desvio da lesão e se existe presença de fratura . A ressonância magnética pode auxiliar em um segundo momento para avaliar com maior sensibilidade as lesões ligamentares ao redor do ombro.

COMO TRATAR?

As lesões de grau I e II são de tratamento mais simples:

  • Gelo 4 vezes ao dia por 15 a 20 minutos.
  • O uso de remédios analgésicos e anti-inflamatórios para alivio das dores
  • Tipoia tipo Velpeau em geral durante 1 a 3 semanas, dependendo das dores e da intensidade da lesão.

Nas Lesões do Grau III o tratamento é muito controverso, mesmo entre os médicos especialistas. A maior tendência no mundo tem sido a de tratar sem cirurgia, porem muitos ortopedistas preferem realizar a cirurgia de forma mais aguda para restabelecer a anatomia do ombro de forma mais precoce.

Procure com urgência um médico ortopedista na suspeita da lesão, para definir a melhor indicação de tratamento, o atraso no diagnóstico pode complicar o tratamento.

QUANDO POSSO RETORNAR AO ESPORTE?

Nas lesões de Grau I e II a lesão é menos intensa e o atleta após realizar uma reabilitação fisioterápica e reforço muscular do ombro com um educador físico e sem dor no ombro, o que ocorre em média de 03 a 06 semanas, poderá retornar ao esporte.

Nos casos cirúrgicos,  o tratamento é mais longo, e geralmente treinos de queda ou com risco de trauma sobre o ombro só será liberado após 03 meses de reabilitação com fisioterapia e reforço muscular.

 

 

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com