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Cinco coisas pra procurar em um professor de jiu jitsu

Texto traduzido de Jiu Jitsu Times, original (em inglês), aqui.

Quando tentei fazer jiu jitsu pela primeira vez, na última cidade em que morei, eu acabei achando que não era pra mim. Fiz uma aula experimental depois que a escola de jiu jitsu participou da feira de saúde da empresa em que eu trabalho e sofri pra completá-la, mas gostei.

Assim que eu me encontrei em um estado de desidratação e cansaço, fui colocado em uma sala com um vendedor de muita pressão, que insistiu até que eu assinasse um contrato.

Não era nada grande, porque eram apenas US$ 70 por aulas ilimitadas que incluiam jiu jitsu, kickboxing e ginástica, mas já na largada eu senti que algo estava errado.

Nunca consegui me entrosar com os outros alunos ou instrutores. Parte da culpa por isso até era minha, mas parte disso era a cultura determinada pelo professor e dono da escola.

Não era incomum que ele ficasse frustrado com os alunos iniciantes, passando tempo ao celular durante as aulas, ou então focando sua atenção apenas nas alunas atléticas ou bonitas.

Como eu estava apenas começando no jiu jitsu, não sabia a diferença entre um professor bom ou um ruim, ou mesmo se era normal esse comportamento. No fim das contas, acabei não indo longe nem durando muito tempo, uma vez que meu trabalho me obrigou a mudar de cidade.

Depois de um ano e meio longe da arte suave, decidi tentar novamente e fiquei maravilhado com a diferença de 180 graus entre a academia anterior e a atual. Entrei em uma escola com um currículo estruturado, professores dedicados, um ambiente de aprendizado positivo e alunos amigáveis que me ajudaram a finalmente gostar de treinar jiu jitsu.

Novamente, a cultura toda começa de cima, e goteja nos outros instrutores e alunos. Então aqui estão cinco qualidades que você que pensa em treinar jiu jitsu deve procurar em seu instrutor da arte suave:

1. Conhecimento técnico

Um treinador não precisa necessariamente ser um campeão mundial faixa preta de altíssimo nível. Além disso, ser um competidor de alto nível nem sempre significa ser um bom professor. A exemplo: quantos títulos mundiais de boxe o Freddie Roach ganhou, e quantos campeões mundiais procuram seu conhecimento?

Um bom professor de jiu jitsu deve ter vasto conhecimento dos fundamentos, de detalhes essenciais em técnicas, deve ser aberto a novos movimentos e sempre deve buscar aprender e expandir sua biblioteca de conhecimentos.

Como saber, então, se um professor tem técnica? Se o instrutor da academia em perspectiva demonstra as técnicas rapidamente, sem explicar ou demonstrar a importância ou a razão por trás dos detalhes, isso pode gerar hábitos nocivos e fazer com que seus movimentos ou técnicas sejam menos eficientes do que deveriam.

2. Paciência

Uma parte crucial em ser um bom professor é ter paciência, especialmente com alunos novos, que nunca tiveram treinamento prévio. Alguns instrutores esquecem que ser um aluno novo é um processo extremamente intimidante e isso se agrava quando muitos termos e movimentos novos são constantemente introduzidos.

Um instrutor impaciente, que se frustra com a falta de habilidade de seus estudantes pra entender um conceito ou técnica vai dar causa a uma frustração e desconforto também no seu aluno.

Quando o professor é paciente com os estudantes, isso é passado aos alunos mais graduados, que também se mostram mais pacientes com os parceiros de treino novos.

Tirar um tempo extra pra ajudar alunos e fazer com que se sintam confortáveis pode se mostrar um ótimo caminho para criar uma relação extremamente positiva com os alunos.

3. Atenção

Quem dá as aulas é o professor chefe? E se sim,  os instrutores estão constantemente ajudando os alunos enquanto eles fazem seus drills e tirando dúvidas?

Ou o professor está sentado em um canto, possivelmente deslizando perfis do tinder para a direita ou conversando no whatsapp?

Há um plano ou currículo a ser seguido? Ou o professor só chega e ensina?

Uma aula de jiu jitsu normal leva de 60 a 90 minutos, e alguns alunos pagam valores altos de mensalidade para aprender. Se o professor quiser ser respeitado pelos alunos, então ele deve também mostrar respeito pelos alunos e ser atento e ativo durante o treino.

4. Habilidades de Comunicação.

Isso meio que completa os três primeiros pontos.

Ensinar jiu jitsu é uma atividade tanto física quanto verbal e requer que a pessoa fale claramente e se mova efetivamente. Um professor pode demonstrar uma técnica, mas é a comunicação verbal que realmente vai prover os detalhes essenciais para os alunos, e dar a fundação para que os movimentos sejam aprendidos.

Além disso, há a questão de linguagem corporal do professor durante o treino. Ele parece ser amigável ou impassível? Suas expressões faciais são sorridentes e convidativas ou ele sempre parece franzido e cismado?

O que um professor comunica pros seus alunos, tanto verbalmente quanto por sua linguagem corporal, pode dizer muito sobre ele.

5. Humanidade.

Você pode ser um ótimo lutador de jiu jitsu e ainda assim ser uma pessoa horrível.

Há professores que se escondem por trás desse verniz de que o jiu jitsu é livre de egos, que é humilde, e ainda assim eles agem de maneira pomposa e arrogante.

Você provavelmente já ouviu histórias de professores que mesmo casados, davam em cima de suas alunas ou as provocavam, apenas pra se reafirmar como o macho alfa da turma.

É difícil descobrir se um professor é um ser humano decente apenas por encontros casuais ou superficiais. Você pode procurar reviews online ou histórias sobre um professor, mas no fim das contas não há como saber se esse professor é gente boa ou não até que você se junte à academia e possa ver seus lados bons e ruins.

O melhor conselho que se pode dar aqui é pra observar e experimentar algumas aulas de quem você quer ser aluno, pra ver se você pode se entrosar com o estilo de ensino e com a cultura da escola, em geral!

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