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As vantagens e benefícios das aulas particulares de Jiu Jitsu

 

por Fábio Jesus, faixa preta da Gracie Humaitá – Cuiabá

Muito embora os Grandes Mestres Carlos e Hélio tivessem dedicado grande parte de suas vidas às aulas particulares, hoje em dia, pelo menos no Brasil, estas são um filão pouco explorado; em outros países no entanto, são uma parte expressiva da cultura do jiu-jitsu. Pensando nisso, BJJ Fórum consultou diversos professores lá da gringa, para mapear os prós e contras das aulas particulares.

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Grão Mestre Hélio Gracie durante aula particular a Cássio Werneck

Entusiasta dos benefícios da aula particular, Samir Chantre, um dos líderes da Ares BJJ e campeão mundial no-gi, ressalta que suas melhores posições hoje são as que ele aprendeu nas aulas particulares quando era faixa colorida, nas quais podia repetir exaustivamente cada técnica e estudar atentamente cada pormenor, sob o olhar atento do seu professor. Na mesma linha, Marcelo Monteiro, faixa preta 4º grau e líder da BJJ Coach International Association, com base em Indianapolis e filiais em vários países, acredita que as aulas particulares são essenciais no crescimento do aluno. Além de poder trabalhar as posições com um nível de detalhamento bem maior que nas aulas em grupo, também permitem ao professor a identificar as áreas onde o aluno precisa de mais atenção.

Para Rafael Formiga, faixa preta da Soul Fighters radicado em Connecticut o maior benefício é poder focar nos seus pontos fracos: “tem erros que você consegue identificar só de ver a pessoa treinar, mas tem outros que você só consegue perceber sentindo o que o aluno está fazendo, de repente a posição está visualmente correta mas pressão está no lugar errado, e isso é difícil do professor trabalhar igualmente para todos os alunos numa aula em grupo com 30, 40 pessoas”.

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Rafael “Formiga” Barbosa

Trenton Cooke, faixa preta de Romero Jacaré e instrutor do Quartel General da Alliance em Atlanta ressalta ainda outro benefício: com as aulas particulares, o vínculo entre professor e aluno se torna mais sólido, fortalecendo a relação. “Eu tive muitas aulas particulares, e isso me ajudou a fixar melhor os conceitos e a ser um melhor professor, além de alicerçar a amizade com os instutores”, diz Trenton.

Outro benefício apontado é possibilitar ao aluno que esteja lesionado que não pare os treinos por completo. Para Diego Bispo, campeão mundial no-gi da Ares BJJ, as aulas particulares são importantes para que esses alunos possam continuar treinando de forma não se machucarem mais, uma vez que o professor precisa desenvolver alternativas que não exponham a área da lesão, preocupação que um colega de treino provavelmente não teria numa aula em grupo..

Para Osvaldo Queixinho, um dos líderes da Ares BJJ, campeão mundial no-gi e bronze no mundial adulto, as aulas particulares devem ser vistas como um complemento, não podendo de forma alguma substituir as aulas em grupo. “Não dá para pegar a faixa preta só fazendo aula particular”, enfatiza Queixinho.  “A aula em grupo é a mais importante, fazer os drills com os colegas de treino, rolar com diversos parceiros, além de poder mensurar o seu progresso”, complementa.

Igual pensamento tem Marcelo Monteiro: “O único ponto contra é o aluno só querer fazer aulas particulares. É muito importante você testar suas técnicas contra pessoas de nível técnico diferente, pesos e tamanhos diferentes”. Rafael Formiga cita o exemplo de um aluno que por ser médico e não poder se machucar, só faz aulas particulares, o que acaba tornando o processo de avaliação da sua evolução um pouco mais complicado, uma vez que não há um parâmetro de comparação do seu nível com outros praticantes da mesma faixa. André Monteiro, líder da A Force Team, com base em Nova Iorque e associados em vários países, salienta: “a aula particular é uma ótima forma de fazer o aluno se comprometer e desenvolver o seu jogo; no entanto, se o professor for dedicado, ele consegue fazer o aluno evoluir seja em aulas particulares, seja em grupo”.

Na questão do aprendizado, Samir Chantre lembra que um erro muito comum é o aluno querer aprender 10 posições na aula particular, ao invés de focar nas nuances de uma só, o que acaba por prejudicar sua evolução: “ao treinar uma quantidade reduzida de posições por aula, o professor pode ter certeza que a posição está sendo bem executada, e a capacidade de memorização do aluno fica potencializada”, lembra Samir.

Samir Chantre durante aula

Do ponto de vista dos alunos, Kalen Cowen, faixa azul do professor Kenny Kim, dá o seu depoimento: “Eu treino em grupo de duas a três vezes por semana, e faço mais duas aulas particulares com meu professor Kenny Kim. As técnicas que eu treino nas aulas particulares, me ajudam a aumentar a minha compreensão sobre o jiu-jitsu, e eu sinto que a minha evolução é bem mais rápida que a da maioria dos alunos; alguns caras que me escovavam há um tempo, hoje em dia eu consigo me defender deles. As aulas particulares me ajudam a evoluir, e me fazem ter mais respeito ainda pelas pessoas que dedicam a suas vidas a estudar a arte. Você pode até questionar que são caras, mas eu asseguro que definitivamente valem o investimento”.

E você leitor, já pensou em turbinar seu jogo com uma aula particular?

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