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A Lesão de Roberto Satoshi – Luxação do ombro(Glenoumeral)

by Dr Thairon Medeiros

Satoshi consolado por Lepri – Foto de Lisa Albon

 

O momento mais triste durante o Mundial 2017 da IBJJF ocorreu durante a final dos leves entre os faixas preta Lucas Lepri e Roberto Satoshi, que não aconteceu como o público e os atletas gostariam.  Durante uma defesa de queda Satoshi acabou sofrendo uma Luxação na articulação do ombro o que o obrigou a abandonar a disputa do título naquele dia. Ainda assim, fomos brindados com o respeito entre os dois atletas ao final da luta com Lucas Lepri ajudando o colega até a saída do tatame.  Incrivelmente, apenas um mês após essa contusão, Satoshi mostrou uma recuperação e superação fora da curva, o que é marcante em atletas de ponta e mesmo ainda com uma certa limitação e dor em seu ombro, sagrou – se campeão do Grand Slam de Tóquio.

ANATOMIA:

Articulação glenoumeral é a articulação que une a cabeça do úmero a cavidade glenóide na escápula. Essa é uma articulação rasa que permite uma grande movimentação e flexibilidade do ombro, porém, para garantir a estabilidade desta articulação existem várias estruturas capsoligamentares que mantem o úmero preso a escápula, sendo as principais o lábio da glenóide, cápsula articular e tendões do manguito rotador.

   

 

ENTENDENDO A LESÃO:

 

Como já citei em matérias anteriores, a luxação não é apenas uma contusão, é algo mais grave, é a perda do contato articular entre ossos que formam a articulação. No caso do ombro é ocasionada por uma força extrema que supera as estruturas estabilizadoras e desloca a cabeça do úmero para fora da cavidade. Geralmente em atletas até os 40 anos as lesões envolvem mais o lábio e os ligamentos. Já em atletas acima dos 40 anos, os tendões do manguito rotador também podem estar lesados.

 

A luxação mais comum é a anterior, normalmente ocorre com braço aberto acima do ombro e sendo forçado em rotação externa. No jiu jitsu pode ocorrer principalmente:

1- Chave de braço americana: é o movimento exato que ocorre a luxação principalmente se o braço do atleta que sofrer a chave estiver aberto acima do ombro.

2- Projeção: muitas vezes, para evitar a queda, o atleta apoia o braço acima da cabeça e com a projeção, seu braço é alavancado para trás, forçando a articulação do ombro.

3 – Omoplata: Apesar do mecanismo de luxação não ser o mais convencional, o peso da perna de um atleta empurrando o braço do oponente com grande força para frente, pode levar a lesão.

QUAIS OS SINTOMAS?

Assim como ocorreu com Satoshi, a dor e a incapacidade de movimentar o braço é intensa, o braço parece estar caído e algumas vezes podemos ver ou sentir um vazio na região do ombro lembrando a dragona da farda de um soldado (Sinal da Dragona).

COMO TRATAR A LESÃO?

No momento imediato da lesão, até que o atleta possa ser avaliado por um médico ortopedista que realizará a redução da lesão, devemos proteger o ombro do atleta da seguinte maneira:

  • Proteger o membro com uma tipoia que pode ser realizada com a própria faixa;
  • Gelo local para diminuir a dor e o edema;
  • Analgésico para aliviar a dor.
  • Nunca tentar manobras de redução a não ser na presença de um médico especializado, pois há perigo de complicações como lesões de nervo e fratura do úmero.

Na grande maioria dos atletas jovens com luxação traumática, há uma grande chance de reluxação e após o segundo episódio, em quase 100% dos casos, as luxações se tornarem cada vez mais frequentes e com movimentos menos intensos, muitas vezes tornando inviável a pratica do esporte, pois as estruturas que mantem o ombro estável vão se tornando cada vez mais lesionadas e insuficientes. Por esses motivos, após o segundo episódio de lesão a maioria dos ortopedistas indicam a cirurgia para diminuir a possibilidade de novas luxações e lesões da capsula, manguito rotador e ossos do ombro.

Atualmente a maioria dos casos pode ser tratado com cirurgia por vídeo ( artroscopia ).

QUANDO RETORNAR AS ATIVIDADES ?

A fisioterapia é focada inicialmente em diminuir a dor, o processo inflamatório e em recuperar a mobilidade do ombro. Em seguida, é realizado o fortalecimento muscular principalmente da musculatura do manguito rotador e estabilizadores da escápula. Mesmo com o tratamento cirúrgico e com a liberação para retornar aos esportes, o fortalecimento muscular deve ser continuado rotineiramente.

Após a cirurgia, atividades leves da vida diária pode ser realizadas gradativamente em torno de 03 a 06 semanas. Atividades esportivas leves, sem impacto, podem ser realizadas em torno de 12

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