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A dura realidade dos eventos nacionais de MMA no Brasil

Evento de MMA (Foto: Reprodução)

Evento de MMA (Foto: Reprodução)

E lá vou eu concluir o assunto que comecei semana passada quando eu falei dos atletas vendedores que, na minha opinião, tem um papel importante na promoção do evento e por isso eu acho válido demais o sistema de bolsa-bilheteria. Pra não me alongar, que quiser ler a matéria para prosseguir com essa pode conferir aqui.

Todos nós sabemos que um evento se tornar rentável no Brasil é muito difícil. Em se tratando particularmente da minha região, no interior de São Paulo, sem parcerias e sem pessoas engajadas em apoiar financeiramente os eventos, se torna tudo ainda mais difícil. E eu sei que essa é a realidade da maioria do país.

Segundo o promotor do eventos de MMA Higen Fight Championship, Renato Higen, o melhor caminho a ser feito é a busca de parcerias com instituições, empresas e pessoas. Isso é o possibilita o evento ser produzido.
“O segredo para se fazer hoje alguma coisa no Brasil, é você ser uma pessoa articulada. As vezes você não consegue a ajuda financeira, mas consegue o apoio de pessoas. Também tratar os atletas e parceiros com respeito é o que se faz crescer” – afirmou Higen.

Eventos regionais

É aqui que tudo começa. Seja para o promotor e seja para o lutador.

O triste, que digo pelo que vejo, é que muitos lutadores acabam não se achando no dever de apoiar o evento regional por ser a estrela do show.

A divulgação é  algo que se faz muito importante.  Pré-eventos de divulgação, com a ajuda e participação dos lutadores. Buscar fazer campanhas de publicidade junto com os atletas, com as imagens dos mesmos e que os vincule ao evento. Sem isso não há como se fazer um evento acontecer, então quando vejo lutador reclamando dessas ações, e reclamando de ter que arregaçar a manga pra fazer o evento acontecer, que perco o juízo.

E por outro lado temos um outro tipo de evento, que é o que mais me preocupa.

Os grandes eventos (e os que crescem) no Brasil

Lamentavelmente  o que tomo por conhecimento hoje no Brasil são eventos que, depois de crescerem, esquecem que só cresceram por causa de tudo isso que descrevi acima.
As parcerias, o apoio dos lutadores, lutadores que muitas vezes lutaram por ingressos quase que sem retorno.

Porém milagrosamente, após se tornarem maiores, esses eventos simplesmente passam a agir como se permitir que o lutador participe seja um favor.

Eventos que hoje contam com grandes patrocínios, coberturas de TVs nacionais em horário nobre, participação de público, mas tratam o atleta como mero coadjuvante.

Essa mentalidade traz o estereótipo de mau àquele que está iniciando e precisa da ajuda e do empenho do lutador para que o show aconteça.

Hoje  muitos amigos meus, ótimos lutadores, optaram por lutar em eventos menores e simplesmente se recusaram a aceitar o monopólio abusivo de eventos grandes. O maior evento do Brasil hoje, para mim, tem perdido muito de sua qualidade exatamente por tratar o lutador como qualquer coisa, e exigir que mesmo antes de lutar ele desembolse valores homéricos para se adequar às exigências do evento.

Enquanto isso, em eventos regionais, menores, por todo o Brasil, temos uma qualidade de lutas e lutadores crescente, que me empolga e faz com que a cada dia mais eu tenha orgulho do verdadeiro MMA Nacional, aquele que cresce aos trancos e barrancos, com a ajuda de todos.

Sim, é fato que ainda temos um LONGO percurso, mas se formos olhar pra trás e virmos nossa evolução ao longo dos últimos 10 anos, por exemplo, ela há de nos orgulhar.

Então nós fãs, lutadores, patrocinadores e promotores, não deixemos que esse crescimento acabe e não deixemos que ao conseguir o que almejamos, esqueçamos de olhar pra trás e fazer com que cada vez mais nosso esporte tenha a dignidade que merece.

 

Por Agnes Lima
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*O material acima representa a opinião pessoal do autor, não retratando necessariamente a opinião do BJJForum.

About Agnes Lima

Announcer de MMA, formada em arbitragem de boxe pela Liga Sorocabana de Boxe e em MMA pela Associação Brasileira de Arbitragem de Lutas. Atuou como juíza e locutora em campeonatos regionais e estaduais de boxe e é fundadora do grupo de Facebook “Do Vale Tudo ao MMA”.
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