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Entrevista com Edwin Najmi, uma das maiores promessas da nova geração de faixas pretas

edwin- Najimi

Edwin Najmi era um faixa roxa que não recebia do grande público a atenção merecida. Mas com um triângulo voador espetacular na final do absoluto no Mundial de 2014 contra Nicholas Meregalli, que havia vencido peso e absoluto em todos os campeonatos até então, Edwin corrigiu essa injustiça e trouxe para si todos os holofotes.

No Mundial seguinte, já de faixa marrom, Edwin provou que passa longe de ser uma zebra, vencendo a categoria dos leves e recebendo a faixa preta das mãos de seu mestre Rômulo Barral.

O colaborador do BJJ Fórum Zé Rocha bateu um papo com Edwin, e o resultado é a entrevista abaixo. Confere aí!

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Olá Edwin. Já se passaram quase dois anos desde o triângulo voador no Nicholas Meregali, qual foi o impacto dessa vitória na sua Carreira?

O triângulo voador sobre o Meregali teve, sem dúvida, um grande impacto na minha carreira, porque foi o meu primeiro ouro no mundial depois de 3 medalhas de prata. Não só a final mas mas toda a minha performance nesse dia fizeram-me ganhar muita confiança e acreditar de verdade que eu estava neste esporte para dar o meu melhor e ser um dos melhores.

Como é que você começou com essa loucura do triângulo voador? Já alguma vez o tentou e acabou numa má situação?

Um dia eu estava tentando uma queda de judo, um collar drag com as duas mãos na lapela (eu sou muito ruim em judo por sinal haha). Então, eu tentei a queda e não resultou, mas o meu parceiro posturou e foi quando eu, por instinto, saltei e encaixei o meu primeiro triângulo voador. Começou aí.

Considera que quando ganhou o título mundial na roxa já tinha nível de faixa preta?

Sim. Aliás, não só no meu caso, acho que todos os faixa-roxa de tipo hoje em dia têm nível de um faixa preta “normal”. Todo o mundo está treinando como profissional nos dias de hoje, então o nível continua subindo e subindo.

O título mundial na faixa marrom foi mais difícil do que na faixa roxa?

Eu penso que foi mais difícil, porque na marrom eu tive que ter um jogo completo. Na roxa, eu praticamente não tinha jogo por cima, só uma boa guarda e algumas boas finalizações, mas quando eu cheguei na marrom eu tive que usar todas as partes do meu jogo para ganhar as lutas, até quedas!

Como é a sua rotina de treinos? Mudou desde que chegou na faixa preta?

A minha rotina de treino é praticamente a mesma de antes. Eu treino Jiu Jitsu duas vezes por dia, todos os dias, bem como dois dias de yoga e de preparação física. A única coisa que mudou desde que eu cheguei na faixa preta foi a mentalidade de estar preparado para competir contra os caras que eu admirava desde a altura em que comecei a treinar e a subir de faixa.

Como é o ambiente de treino no Rômulo?

O ambiente de treino no Rômulo é insano, é uma zona de guerra. Há muito cara duro no tatami e toda a gente puxa uns pelos outros. Sou um abençoado por estar rodeado de gente tão boa.

Quais são as maiores promessas na faixa azul e roxa na sua academia, a GB Northridge?

Nós temos muitas promessas desconhecidas, mas eu tenho tenho a certeza que em breve vão deixar a sua marca no mundo do Jiu Jitsu. Aqui estão alguns dos azuis e roxas mais duras com que meu já treinei na vida, e diria que o top 3 é constituído pelo David Fraser, Sky Lovell e Pedro Sorreano.

Na sua opinião, qual a importância do wrestling para o Jiu Jitsu e para o Submission Grappling? Você treina wrestling?

Eu penso que o wrestling é uma arma importantíssima no Jiu Jitsu, ainda mais importante no ADCC/Submission Grappling. Não ensina apenas quedas, mas também disciplina, fome de vencer e, sobretudo, como ultrapassar situações difíceis. Acho que uma das melhores decisões que tomei na vida foi começar a treinar na ChurchBoyz Wrestling sob o comando do coach Jacob Harman.

Qual a melhor maneira para lidar com adversários mais fortes e pesados?

Tentar arranjar uma guarda que neutralize o seu ataque, e estar sempre na ofensiva em vez de estar na defensiva. Essa é o jeito que eu gusto de competir contra adversários mais fortes e pesados.

Vai manter um jogo semelhante agora na faixa preta?

Sim, com certeza, essa é a minha única maneira de treinar e competir. Ser sempre agressivo e procurar a finalização. Mas, obviamente, vou tentar acrescentar cada vez mais técnicas ao arsenal.

Você já visitou o Brasil algumas vezes, vê alguma diferença na maneira que os Americanos e os Brasileiros treinam e enxergam o Jiu Jitsu? E a nível de patrocínios?

Na minha opinião é muito semelhante. Eu penso que o Jiu Jitsu na SoCal (Sul da Califórnia) está muito lá em cima, provavelmente é a meca do Jiu Jitsu neste momento. No que toca aos patrocinadores, penso que aí o que interessa é a maneira como você se promove.

Como é que você gere a sua carreira, dando seminários e competindo ao mesmo tempo?

É muito duro, mas eu aprendi a gerir. Mas, quando se aproxima a época de competições, eu tento não dar tantos seminários como no resto do ano de modo a manter o foco.

Quais os planos a curto e a longo prazo para a carreira? Pretende abrir a própria escola? Tem intenções de migrar para o MMA?

O meu objetivo é ser campeão mundial na faixa preta e o melhor do mundo na minha categoria. Com certeza no futuro eu pretendo abrir a minha escola, de forma a poder partilhar com o mundo as maravilhas do Jiu Jitsu e as grandes oportunidades que ele me deu. Para já eu não tenho planos de migrar para o MMA, mas nunca se sabe, por vezes eu tenho o bichinho de lutar, rs.

Edwin muito obrigado pela disponibilidade, desejamos tudo de bom para o seu futuro!

Obrigado eu pela oportunidade! Valeu!