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Artigo: os segredos da volta aos treinos após longa inatividade

Para Luiz Dias, os treinos depois de uma lesão devem ser em ritmo lento, para não prejudicar a recuperação (Foto Eduardo Ferreira)

Para Luiz Dias, os treinos depois de uma lesão devem ser em ritmo lento, para não prejudicar a recuperação (Foto Eduardo Ferreira)

Por Tatame

*Depois de um tempo parado, por qualquer que seja o motivo, retornar aos treinos não é fácil. Você sabe como treinava e sabe como os outros estão treinando. Alguns se preparando para campeonatos e outros simplesmente treinando pelo prazer. Mas todos com um ritmo que você, por conta da sua parada, não está. Creio que aqui temos os dois lados desta situação. No primeiro é você de volta aos treinos, o que é muito bom, mas seu condicionamento físico não está no ritmo normal.

A pegada ainda não está como antes? E o aeróbico? Então tenha a perfeita noção do seu estado, recomece seus treinos com um ritmo mais lento, treine devagar, sinta seu corpo, sua respiração, respeite os limites nessa volta para não ganhar outro tempo de fora dos tatames por conta de outra lesão. Respeite os prazos dos médicos e ortopedistas. Eles estudaram para isso. Às vezes, você acha que está já completamente curado, mas pode não ser a realidade do seu corpo.

Treine para pegar ritmo de novo, o mais importante é estar de volta ao dojô. Ganhar ritmo e força virá com o passar do tempo. Fica complicado depois de uns meses parado, logo no primeiro dia, querer impor um ritmo que você tinha. Planeje mesmo que mentalmente sua evolução, mas sempre escutando seu corpo. Crie seus parâmetros e metas. Respeite os intervalos para descanso, pois faz parte da vida do atleta também. Treinando, a sua evolução acontecerá naturalmente.

Por outro lado, imagine agora você treinando direto, malhando, correndo, disputando campeonatos, treinando até nos sábados. Enfim, um lutador sempre presente no dojô. E então reaparece aquele seu amigo que está parado há um tempão. Qual o mérito de pegar esse seu amigo e passar o carro? Mérito seria finalizar aquele seu parceiro de treino quando você sabe que ele está no auge de sua capacidade física e aeróbica. Pegá-lo voltando depois de um longo período parado e dar um treino duro não é uma atitude esportiva. Prefira “rolar” na velocidade que ele pode levar, espere-o voltar a ficar forma e aí sim, treino duro!

Tenho um amigo, excelente faixa-preta, que por motivo de lesão ficou parado bastante tempo. Quando ele voltou fizemos o primeiro treino, e no final ele me perguntou: “Por que você treinou mais devagar?”. Treinei mais leve pelo fato de estar naquele momento ajudando um amigo a entrar em forma. Não via nenhum mérito em treinar duro com um amigo vindo de lesão. Eu quero finalizá-lo sim, mas sabendo que ele está em seu ritmo normal e não vindo de um período inativo, fora de ritmo.

A conduta dentro do dojô tem que passar por esses aspectos também. Ajudar seus parceiros de academia é importante. Hoje, quem está retornando é o seu amigo, amanhã pode ser você. Em treinos internos, o companheirismo deve falar mais alto, e os “rolas” mais duros podem esperar um pouco até os dois estarem em suas plenas condições físicas. Bons treinos!

*Luiz Dias, líder da GAS JJ