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Atual campeão europeu, Honório detalha seu jogo de passagem e foca no Mundial: “Minha hora vai chegar”

Fotos: Victor Freitas

Aos 24 anos, o carioca Victor Honório reside há dois anos em Doha, no Catar e ajuda a propagar o Jiu-Jitsu no país do Oriente Médio.

Além de ensinar o esporte para as forças armadas, o faixa-preta ainda mantém seus treinos em alto nível para competir pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF).


No mês de janeiro, por exemplo, Honório provou que tem uma passagem de guarda letal, ao transpor a guarda dos três adversários que enfrentou para pegar a medalha de ouro no pesadíssimo. Em sequência, o jovem campeão enfileirou Renan Marcel, Seif Houmine e, por fim, o cascudo Tanner Rice.

Qual seria o segredo para uma passagem de guarda tão justa, que contém até pulos acrobáticos? O próprio Victor faz questão de responder.

“Quando criança, eu sempre fiz vários esportes em paralelo ao Jiu-Jitsu, como muay thai, boxe e judô. Meu pai era proprietário de academia e puxava o treino de Jiu-Jitsu, mas depois do treino principal do meu pai eu praticava outras coisas, já que eu ficava o dia inteiro na academia. Uma das modalidades que teve na academia foi a capoeira, que eu fiz 3 anos e tinha bastante acrobacias. Depois, já com 16 anos, comecei no wrestling, onde sempre tem saltos e cambalhotas junto com acrobacias no aquecimento, o que acabou ajudando a moldar meu modo de passar a guarda. Faço essas passagens desde faixa-amarela e fui só ajustando com o tempo, ajustando as pegadas e sabendo pesar certinho. O segredo para passar bem é ter boas pegadas, matar o quadril do guardeiro e saber pesar. Hoje em dia, eu já passo pulando no instinto, nem penso se pode dar errado. É natural”, explica Honório, que tem a passagem de guarda como seu ponto forte.

O atleta também explica como funciona seus treinos para aumentar a sua velocidade e como evita ser raspado na hora da luta.

“Parte da competição, gosto de fazer treino funcional voltado pro Jiu-Jitsu e trabalho de agilidade, com escadinha e corridas curtas. Longe da competição, faço força, gosto bastante. Para ter uma boa base, procuro fazer o básico: colocar o guardeiro de costas no chão. Eu não o deixo fazer pegada e tento sempre ficar um passo à frente nos movimentos. Vou matando a guarda passo a passo: pernas, quadril e tronco”, explica.

Para 2019, o filho do casca-grossa e faixa-preta, José Honório, já tem o seu maior objetivo traçado. Ele quer alcançar o topo no Mundial da IBJJF, agendado para maio e junho em Long Beach, na Califórnia.

“Eu estou muito feliz de como minha caminhada está sendo. Quando era faixa colorida sempre me vi campeão mundial no meu primeiro ano de faixa-preta, mas infelizmente tive alguns contra tempos: lesão e falta de grana. Eu mudei de país… Mas hoje vejo que isso me tornou uma pessoa e um atleta melhor, mais experiente. Sou novo, tenho 24 anos e sei que minha hora vai chegar. Todo planejamento da minha vida é voltado para esse objetivo e venho competindo desde 4 anos de idade. Fui campeão em todas as categorias de idade e faixa… Eu sei que na faixa-preta não vai ser diferente!”, encerra Honório.