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Editorial: Quantas chances ainda daremos a Erberth? De nossa parte, nenhuma. .

Começar este editorial explicando o que ocorreu na luta principal do BJJ Stars ontem é desnecessário, pois todos certamente já viram os vídeos viralizados nas redes sociais, nos quais Erberth Santos, após indicar uma lesão no joelho no momento em que sofria uma raspagem, é curado milagrosamente para correr em direção à plateia e agredir o irmão de seu adversário Felipe Preguiça, derrubando uma mulher no processo, que fica caída em meio a um tumulto generalizado.

Enquanto esse texto é escrito, na manhã de domingo dia 24/02, o termo “Erberth Santos” alcança o quinto lugar entre os assuntos mais comentados no Twitter no Brasil, um feito nunca alcançado nem em grandes momentos do esporte. Infelizmente, toda essa exposição veio sobre um fato embaraçoso para a arte suave.

Não, nós não seremos hipócritas de fingir que a história do Jiu Jitsu foi feita por “guerreiros samurais honrosos” e que esse foi apenas um fato isolado. Invasões de academia, brigas em locais públicos e tumultos piores que o de ontem, envolvendo tiros para o alto em um ginásio com luzes apagadas no Pentagon Combat, e recentemente uma cotovelada covarde de um integrante da família Gracie sobre um dos líderes da Gracie Barra não podem ser ignorados.  A violência está encrustada no DNA da arte suave tanto quanto na história do próprio homem.

Mas o fato é que o Jiu Jitsu vem evoluindo. A antiga arte marcial praticada por Pitboys de orelhas estouradas hoje flerta com a profissionalização. As academias se multiplicaram e atingiram o grande público, encerrando os antigos estereótipos. Hoje o Jiu Jitsu atinge o grande público, que o enxerga como esporte e incorpora à sua vida as melhorias que ele traz. Essa evolução passobilitou que hoje milhares de pessoas sustentem suas famílias por meio da arte suave em todo o mundo, algo antigamente reservado a pouquíssimos campeões mundiais e donos de academias.

E essa profissionalização passa por eventos como o BJJ Stars, que remuneram bem os lutadores de Jiu Jitsu por suas lutas, vendem ingressos, Pay Per Views e desenvolvem o mercado do esporte.

Não há dúvidas que Erberth, quase que sozinho, transformou uma noite que prometia fazer o Jiu Jitsu avançar anos, em um desastre que nos transportou de volta à má fama dos anos 90. E digo “quase”, pois em cada uma das confusões em que Erberth se meteu nos últimos anos, ele contou com apoio, ainda que indireto.

Nunca lhe faltaram patrocinadores (ontem ele vestia kimono da marca Ozeean, que emitiu comunicado lamentando tê-lo apoiado e apagou todas as fotos do atleta de seu Instagram). Nunca lhe faltaram equipes dispostas a recebê-lo, em troca das medalhas, treinos e pontos nos rankings por equipes. Nunca lhe faltaram alunos em sua academia ou em seus seminários por todo o Brasil.

Nunca lhe faltaram sequer promotores de eventos dispostos a pagar milhares de reais, pois suas polêmicas atraiam público. E nesse ponto, cabem duras críticas à organização do BJJ Stars que não apenas deixou correr solto o “trash talking” entre os atletas, como incentivava a prática por meio de seu Instagram. Afinal, o respeito, honra e cordialidade que certamente que o promotor Fernando “Fepa” Lopes ensina a seus alunos não deveria se aplicar também a seus eventos?

Hoje o coro geral pede que ele seja banido das competições pela IBJJF (algo que acredito ser altamente improvável, umas vez que o BJJ Stars era independente da Federação).

Mas por que não cobramos a mesma atitude de todo o mundo do Jiu Jitsu? Quantas vezes mais as pessoas vão ignorar ou relativizar as atitudes detestáveis deste atleta, pois estas vêm acompanhadas de mídia e dinheiro?

Quantas chances mais ele terá? Ou quão grave terá que ser seu próximo erro antes de percebermos que estamos apenas observando um monstro sendo criado?

A partir de hoje, o BJJ Fórum pretende fazer sua parte, e se nega a cobrir de qualquer forma o atleta Erberth Santos em campeonatos oficiais ou não. Não daremos a ele qualquer espaço em nosso site ou redes sociais. Temos consciência de nosso tamanho, enquanto mídia amadora e independente, mas temos igual consciência de que precisamos fazer a nossa parte, e assumiremos esse compromisso.

Conforme mencionado, durante a semana publicaremos uma matéria mais detalhada, elencando e explicando os motivos que nos levaram a essa decisão, pois a briga no BJJ Stars pode ser considerada apenas “a cereja no bolo” no currículo de Erberth.

E deixamos o nosso apelo a todos, desde promotores de eventos, patrocinadores, donos de equipe e público em geral. Não vinculem sua imagem e não deem seu dinheiro ao Erberth ou qualquer entidade vinculada a ele, pois esta é e sempre foi a mais poderosa forma de boicote: a que dói no bolso. Não compareçam a eventos que ele receba para lutar. Não comprem produtos de marcas que o apoiam. Não compareçam em seus seminários.

Por fim, gostaríamos de salientar que não pretendemos tornar isso um linchamento virtual sobre o homem, não garoto, de 25 anos. Compreendemos as dificuldades em sua história de vida, e rogamos que ele, caso leia esta nota, pese a gravidade dos seus atos e busque a ajuda que precisa, para se tornar o homem que muitos de seus fãs acreditam que ele é. Todos merecem segundas, e terceiras chances. Mas todos também precisam em algum momento responder pelas consequências de seus atos, e para Erberth, a hora é agora.