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Com ótimos resultados nos últimos anos, Jiu-Jitsu feminino Europeu vive momento mágico

O Jiu-Jitsu no continente europeu tem crescido ano após ano. Esse crescimento é fruto de um ótimo trabalho, que começou no início da década passada, e que hoje já colhe alguns frutos no cenário competitivo, principalmente no Jiu-Jitsu feminino. No último Europeu de Jiu-Jitsu, das oito categorias que compõem a faixa preta (Sem contar o absoluto), quatro foram vencidas por competidores europeias. Na faixa marrom, o domínio foi ainda mais amplo, com seis vencedoras. Em 2016, nenhuma europeia conseguiu o lugar mais alto do pódio na faixa preta, e na faixa marrom, o número de competidoras europeias vencedoras era menor que o número de vencedoras “estrangeiras” (Brasileiras e Americanas).

A principal razão para esse salto de qualidade, é o ótimo trabalho desenvolvido pelos professores que abriram as fronteiras no continente europeu. Esses profissionais plantaram a semente na década passada, e hoje, o Jiu-Jitsu Europeu vem gerando frutos, principalmente no feminino. Mas para contar como chegamos nesse estágio de sucesso, é necessário regressarmos para o início dessa jornada, e ela começa em Copenhague, na Dinamarca.

Arte Suave Denmark –  O ponto de partida do Jiu-Jitsu feminino europeu

Liderada pelo faixa preta de Léo Vieira, Shimon Mochizuki, a Arte Suave Denmark foi a primeira academia européia a revelar grandes talentos no Jiu-Jitsu feminino. Nomes como: Ida Hansson,  Shanti Abelha e Janni Larsson surgiram sob a tutela do professor Shimon Mochizuki, que acompanhou seu mestre, se filiando à Checkmat, após a cisão da Equipe BRASA.

A mudança de equipe foi ótima para as competidoras da Arte Suave Denmark. O intercâmbio e as frequentes viagens para o Brasil em busca do aperfeiçoamento, ajudaram as escandinavas a conquistarem ótimos resultados, como o ouro mundial de Janni Larsson em 2014 na faixa preta.

Janni Larsson no pódio do Mundial

Atualmente, somente Shanti Abelha mantém-se ativa nas competições de Jiu-Jitsu (A atleta foi Campeã Mundial de Masters em 2018), entretanto, o legado deixado pelas alunas de Mochizuki, foi a semente plantada para que o Jiu-Jitsu feminino europeu germinasse e rendesse bons frutos, como estamos vendo desde 2016.

2016 – 2019: O salto de resultados e a expansão do Jiu-Jitsu através da UAEJJF

Nos últimos três anos, o número de competidoras europeias  cresceu substancialmente no cenário mundial. Em todas as faixas, sempre se notava uma presença mais constante de lutadoras oriundas dos mais diversos cantos do continente. Esse cenário começou a mudar, após a renovação que a UAEJJF fez no formato de disputa do World Pro, limitando a quantidade de brasileiros por categoria, onde uma vaga seria definida através do ranking anual, e a outra vaga seria definida por eliminatória.

Com essa mudança, muitos nomes surgiram e se solidificaram no cenário internacional. Quem acompanha o Jiu-Jitsu feminino de perto, com certeza já ouviu falar sobre Samantha Cook (Checkmat – Fight Zone Londres), Serena Gabrielli (Flow – Itália), Ffion Davies (ECJJA – Reino Unido), Amal Amjahid (PAT Academy – Bélgica) e Charlotte Von Baumgarten (Mathias Ribeiro – Alemanha).

No europeu desse ano, todas as atletas listadas no parágrafo anterior chegaram na final da competição. De cinco disputas, foram quatro ouros conquistados, uma marca inédita na história do Jiu-Jitsu. Essa série de bons resultados dessa geração, vem inspirando uma nova geração de competidoras, que já estão conquistando bons resultados na faixa roxa.

O que podemos esperar do futuro?

Com o crescimento do esporte no continente, a tendência é que o número de competidoras cresça cada vez mais. E uma nova geração de competidoras vem se destacando nas disputas entre faixas roxas e marrom. Dentre elas, podemos destacar:

Caroline Kinnane (Roger Gracie Academy – Faixa roxa)

Integrante da Seleção Britânica de Judô, Caroline Kinnane chegou na faixa roxa mostrando seu forte arsenal de quedas. A atleta, que já venceu o Panamericano de Judô em 2014, migrou para o Jiu-Jitsu recentemente e está conquistando bons resultados. No último campeonato europeu, a aluna de Roger Gracie não tomou cnhecimento das adversárias, e impôs o seu jogo de judoca. Era a sua primeira competição como faixa roxa. Confira um pouco do trabalho da britânica na final da sua categoria.

Klaudia Mitko (Checkmat – Polônia) 

Aluna de Adam Wardzinski, Klaudia Mitko vem se destacando bastante nas competições de Jiu-Jitsu da Europa. No último Europeu de Jiu-Jitsu, a polonesa venceu o peso leve e se aventurou no absoluto, conquistando o bronze. Dona de um ótimo jogo de guarda, ela também coleciona medalhas no circuito da UAEJJF. No último Grand Slam de Londres, a atleta ficou com a prata após perder para a duríssima Deise Leonanjo.

Ane Svendsen (GFTEAM – Noruega) 

Com resultados expressivos na faixa roxa e na faixa marrom, a norueguesa Ane Svendsen é um dos principais talentos do Jiu-Jitsu feminino europeu nas faixas coloridas. A atleta da GFTEAM  foi bicampeã europeia na faixa marrom esse ano, e conquistou a prata no absoluto, após perder para a duríssima, Thamara Silva. Além das conquistas no circuito d IBJJF, Ane também participou de um evento da Copa Pódio na Noruega, onde fez uma luta casada e saiu vencedora. Quando ainda era faixa roxa, ela passou um período na Matriz da GFTEAM, no Rio de Janeiro, para aperfeiçoar a parte técnica.

Madeleine Håkansson (Yamasaki Academy – Suécia)

Diretamente de Gotemburgo, Madeleine Hakansson é mais uma escandinava que vem se destacando no cenário do Jiu-Jitsu na faixa marrom. Com um jogo muito forte de chaves de pé e leglock,  a atleta da Yamasaki BJJ Academy conquistou o seu terceiro ouro no Europeu de Jiu-Jitsu. Além das conquistas dentro do continente, Madeleine conquistou a medalha de prata no último Mundial da IBJJF, após perder para a sensação européia, Ffion Davies, em uma final 100 % europeia.

Marta Szareca (Copacabana Team / Gracie Barra – Polônia)

Competidora assídua do circuito da UAEJJF, Marta Szareca vem conquistando seu espaço na faixa marrom. No ano passado, a polonesa chegou na final do World Pro, onde foi superada pela multicampeã Angélica Galvão. Esse ano, a aluna de Bráulio Estima não tomou conhecimento das adversárias no Europeu, e faturou o ouro da categoria. No Grand Slam de Londres, Szareca ficou com a prata, após perder para líder geral do ranking, Gabrieli Pessanha.