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Como conciliar judô e jiu-jitsu? Saiba benefícios e aprendizados que um traz para o outro.

O jiu-jitsu e o judô são artes marciais que caminham lado a lado. Cada um ajuda um pouquinho do outro e vice-versa. Os judocas aprendem técnicas de chão. Quem faz jiu-jitsu precisa aprender a treinar em pé também.

Nem todo mundo consegue levar 100% as duas modalidades. Muitas vezes, uma serve como um complemento para a outra. Hoje conversamos com a atleta Irati Maffra, faixa preta de judô e marrom de jiu-jitsu. Ela começou no judô em 1990 e no jiu-jitsu em 1998. Parou um tempo por conta de faculdade e da gravidez, mas hoje treina com tudo as duas modalidades. Ela contou quais aprendizados pode-se levar do judô para o jiu-jitsu, as vantagens e desvantagens de estar tão inserida nos dois ao mesmo tempo.

Os princípios básicos do judô

Irati destacou os princípios básicos que o judô possui, que são úteis não só em outra arte marcial, mas na vida. São eles:

JU: suavidade

SEIRYOKU-ZEN-YO: máxima eficiência com mínimo esforço

JITA-KYOEI: bem-estar e benefícios mútuos

“O que o judô pode trazer de positivo ao jiu-jitsu está relacionado à postura que adquirimos como judocas, que implica, de forma natural, seguir esses três princípios.”, diz Irati. Isso possibilita ao praticante maior aproveitamento do aprendizado nas outras artes marciais, segundo a atleta.

Os princípios ensinam a buscar o máximo aproveitamento naquilo que se faz (SEIRYOKU-ZEN-YO); a prezar pela coletividade e aprendizado do grupo como um todo (JITA-KYOEI) e usar a suavidade e a força contra a seu favor (JU). Podemos facilmente aplicá-los ao jiu-jitsu, não é mesmo?

Como um influencia no outro?

Se você faz jiu-jitsu, já parou para reparar que sempre percebemos quando aparece um judoca para treinar ou quando lutamos contra eles? Isso acontece porque, tanto o judô quanto o jiu-jitsu possuem determinados “vícios”. Quando se pratica os dois, é preciso tomar cuidado para não levar o vício de um para o outro.

Em primeiro lugar, Irati destaca que pensando no aprendizado das modalidades “não pode ser considerado haver desvantagens em relação a nenhuma delas, já que todo conhecimento é válido para ampliar nossa capacidade de aprender.”

Mas quando falamos em competição, a história muda. A atleta fala, por exemplo, do critério de pontuação, que é completamente diferente no judô e no jiu-jitsu. As desvantagens podem variar de pessoa para pessoa, de acordo com o estilo de luta. “No meu caso, a questão de “dar as costas” no jiu-jitsu foi uma grande desvantagem, por causa da forma que me habituei a lutar judô.”, ressalta.

Mas também existem muitas vantagens, pois uma sobressai e completa a outra. “Me sinto muito segura em lutar ne waza [técnicas executadas no chão] no judô por conta do conhecimento adquirido no jiu-jitsu e me sinto muito confiante em lutar em pé no jiu-jitsu por causa do judô.”, conta Irati.

As dificuldades

A maior dificuldade que Irati sente é em conseguir conciliar os treinos das duas modalidades e o tempo para praticar cada um. Além disso, “virar a chave” na cabeça na hora da luta pode ser complicado. É preciso se condicionar muito bem e entender qual regra está valendo naquele momento. Tomar cuidado para não usar algum golpe proibido.

“Por exemplo, adoro pegar o calcanhar e quedar meu adversário, mas atualmente essa prática seria punida no judô”, conta a atleta. No jiu-jitsu, ela precisa tomar cuidado para não usar certas técnicas e dar as costas na luta.

Os aprendizados

Apesar desses momentos de ter que virar a chave e dos vícios de cada arte, com certeza praticar as duas traz muitos benefícios. Irati conta que o jiu-jitsu te deu uma mobilidade e desenvoltura bem melhor para usar no ne waza. Sem falar das projeções do judô que usa no jiu-jitsu.

Por fim, ela deixa um recado:

“Para mim a grande vantagem em unir as duas artes está naquilo que não aprendemos nas técnicas. O judô me ensina a respeitar cada vez mais meu oponente e o jiu-jitsu me mostra que as possibilidades contra meu oponente e este contra mim são infinitas. E tudo isso me faz entender que sempre terei onde aprender e evoluir.”

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