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Samir Chantre: O termo “Creonte” se aplica nos dias atuais?

 

O BJJ Fórum tem o imenso orgulho de anunciar Samir Chantre como o mais novo colaborador do site! Samir Chantre é faixa preta de Jiu Jitsu de Alan Moraes e um dos líderes da  Ares BJJ Association, posssuindo no currículo diversos títulos Mundiais, Panamericanos, Europeus, dentre outros.

Samir escreverá colunas quinzenalmente sobre os mais diversos temas, oferecendo ao leitor a visão de um faixa preta experiente e bem sucedido sobre a arte suave.

E logo em sua primeira coluna, ele aborda um tema ainda polêmico e delicado no Jiu Jitsu: o termo “Creonte”.

Confere aí as palavras do campeão!

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O termo “Creonte” se aplica nos dias atuais?

por Samir Chantre

Recentemente eu vi muitas pessoas postando um vídeo onde o grande mestre Rickson Gracie fala sobre cross-training (o ato de treinar como visitante em outras equipes e academias) e ser um Creonte (como ele disse, a pessoa que trai o instrutor).

Eu sou da linhagem Carlson Gracie, e caso vocês não saibam, foi ele quem criou esse termo (creonte) há muito tempo, quando muitas coisas eram diferentes, mas o tempo muda, a sociedade muda. Naqueles dias, se você treinasse apenas Sem Kimono (Luta Livre), você não poderia nem passar perto de uma academia de Jiu Jitsu, pois eles costumavam odiar uns aos outros. A galera do Jiu Jitsu e da Luta Livre quase matavam uns aos outros apenas porque eles diziam que a sua arte marcial era melhor que a dos outros. Os tempos mudam, hoje todos nós fazemos ambos (kimono e sem kimono) e vivemos em harmonia. Hoje temos escolas de Jiu-Jitsu, não clubes de luta ou culto.

Alguém que paga a mensalidade da academia é um cliente, e se o professor não pode oferecer o que ele procura, ele vai deixa-lo. Como caso você ingresse em uma Faculdade e não fique satisfeito com os professores ou com o sistema de ensino, você sairá e encontrará uma nova Faculdade. Você está pagando, você não está sendo pago para estar ali, tem que estar no lugar aonde esteja feliz e satisfeito.

Nós, professores, temos que procurar oferecer sempre o melhor serviço, e se isso não for suficiente pra manter o aluno, temos que deseja-lo sorte aonde for. Pessoas são diferentes, tem objetivos diferentes e pensmentos diferentes. Nem sempre o lugar que a pessoa começa, tem que ser aonde ele termina.

Se a pessoa troca de academias porque quer ser promovido mais rápido, ele continua no seu direito, por mais que muitos, como eu, não concordamos com a visão dele em relação a nossa Arte, pessoas tem visôes e objetivos diferentes, pra esse determinado praticante, a academia tradicional, com métodos de graduação tradicionais não o interessa.

E mais uma coisa, se você não acredita na importância de visitar outras academias, não desperdice seu tempo respondendo a esta coluna, você não vive no mesmo mundo que eu! Um exemplo rápido: veja o topo do mais alto nível do esporte, onde Leandro Lo, Marcus Buchecha, Felipe Pena, Rodolfo Vieira e muitos outros treinam juntos o tempo todo. Todos de diferentes equipes! Boa sorte dizendo-lhes que eles estão errados!

Sou muito grato pelo fato de meu professor ter sempre sido tranquilo com relação a isso, e ter me incentivado a treinar com outras pessoas. Eu melhorei muito meu Jiu-Jitsu com isso, e hoje, depois de 20 anos de Jiu-Jitsu e vivendo há milhares de quilômetros de distância, ele ainda é meu professor!

Então, se o seu aluno te deixou, as vezes o melhor a fazer é olhar pra sí mesmo e ver aonde você errou, ao invés de fazer o que mais fácil e arrumar um culpado, nesse caso, chama-lo de creonte.

Samir Chantre

Ares BJJ Association